Índice recua 0,45%, enquanto dólar volta a R$ 5,13; investidores recalibram apostas para os juros após sinalizações do Banco Central
Priorizar nos meus resultados Google O Ibovespa operava em queda nesta terça-feira, 22, enquanto investidores repercutiam a ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) e acompanhavam a nova rodada de queda do petróleo. Por volta das 11h, o principal índice da B3 recuava 0,45%, aos 185 746 pontos.
O dólar seguia na direção oposta. A moeda americana avançava 0,49%, negociada na casa dos 5,13 reais, depois de ter recuado cerca de 0,7% na sessão anterior. No exterior, o índice DXY, que mede o desempenho do dólar diante de uma cesta de moedas fortes, permanecia praticamente estável, indicando uma pressão mais concentrada no mercado doméstico.
Segundo Fábio Murad, consultor da Wiser Asset, a valorização da moeda americana nesta manhã parece ser mais uma correção após a queda da véspera do que uma mudança de tendência. “O real devolve parte do ganho recente enquanto os investidores recalibram as expectativas para a Selic e avaliam o efeito do petróleo abaixo de US$ 100 sobre as contas externas brasileiras”, afirma.
Divulgada nesta terça-feira, a ata do Copom mostrou que o Banco Central enxerga sinais mais claros de desaceleração da atividade econômica e de transmissão dos juros elevados para a economia. Na semana passada, o colegiado reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual, para 13,75% ao ano. Apesar do espaço para novos cortes, o BC reforçou que as próximas decisões dependerão da evolução dos dados e serão conduzidas com cautela.
Para Murad, a combinação mantém no radar uma Selic de 13,50% no fim de 2026, mas ainda não permite antecipar uma sequência mais longa ou intensa de reduções. Juros menores no Brasil também diminuem gradualmente o diferencial em relação aos Estados Unidos, onde o Federal Reserve elevou na semana passada sua taxa para o intervalo entre 3,75% e 4% ao ano.
Outro fator que pesa sobre os negócios é a continuidade da queda do petróleo. O Brent era negociado a 98,39 dólares, depois de já ter recuado mais de 3% na segunda-feira. Na véspera, a commodity encerrou na casa dos 100 dólares, após sinais de possível avanço nas negociações diplomáticas envolvendo o conflito no Oriente Médio.
A queda tem efeitos distintos sobre os ativos brasileiros. De um lado, reduz a pressão sobre a inflação global e pode favorecer as perspectivas para os juros. De outro, tende a pressionar empresas ligadas à commodity e reduz parte do suporte que preços elevados do petróleo oferecem às contas externas de países exportadores como o Brasil. “Na Bolsa, os efeitos se dividem: juros potencialmente menores beneficiam empresas domésticas, enquanto o recuo do petróleo pressiona petrolíferas”, diz Murad.
Para o analista, a continuidade de uma trajetória de alta do Ibovespa dependerá da manutenção do fluxo de capital estrangeiro, da queda dos juros longos e de menor pressão das commodities. No câmbio, ele avalia que a faixa entre 5,10 e 5,15 reais deve concentrar as negociações no curto prazo.




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