Bolsa cai 0,46% nesta sexta-feira, enquanto moeda americana recua para perto de R$ 5,08; realização de lucros e cautela com os Estados Unidos pesam no pregão

Priorize VEJA no Google O Ibovespa operava em queda de 0,46%, aos 187 398 pontos, na manhã desta sexta-feira, 11, em um movimento de realização de lucros após a sequência recente de valorização da Bolsa brasileira. Na direção contrária, o dólar recuava e voltava a se aproximar de 5,08 reais.

A divergência entre os dois ativos ocorre em um momento no qual investidores tentam equilibrar fatores favoráveis ao Brasil, como os juros elevados e a valorização das commodities, com a cautela antes de novos sinais sobre a trajetória da política monetária dos Estados Unidos. “A divergência mostra que o capital estrangeiro não entra no Brasil de maneira uniforme. Parte do fluxo busca aproveitar o diferencial de juros, a valorização das commodities e o desconto das ações brasileiras, fortalecendo o real. Ao mesmo tempo, investidores realizam lucros na Bolsa depois da sequência recente de altas e reduzem posições antes dos dados de inflação dos Estados Unidos e da decisão do Federal Reserve”, afirma Fábio Murad, consultor da Wiser Asset.

No cenário doméstico, a deflação registrada pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) também ajuda a explicar o comportamento do câmbio. O indicador caiu 0,32%, mas o resultado foi fortemente influenciado pela energia elétrica, que retirou 0,33 ponto percentual do índice. Para Murad, a composição exige cautela na interpretação do dado. “No câmbio, o IPCA de -0,32% contribui para a queda do dólar porque reduz o prêmio inflacionário doméstico, mas a composição limita a força desse movimento. A energia elétrica retirou 0,33 ponto percentual do índice, contribuição maior que toda a deflação registrada no mês. Isso significa que o alívio veio praticamente de um único fator temporário. Se os preços voltarem a subir em setembro, o mercado pode rever a expectativa de cortes da Selic e devolver parte da valorização recente do real”, explica.

O petróleo permanece como outro fator importante para os mercados nesta sexta-feira. Com a commodity acima de 105 dólares, empresas produtoras são beneficiadas, mas os efeitos para a economia e para a Bolsa são mais complexos.

A valorização aumenta as receitas das exportações brasileiras e pode favorecer a entrada de dólares no país, contribuindo para a valorização do real. Ao mesmo tempo, petróleo mais caro aumenta custos para diferentes setores e pode trazer novas pressões inflacionárias. “O petróleo acima de US$ 105 cria uma relação menos óbvia entre os dois ativos. Para o câmbio, aumenta a entrada potencial de dólares no país, melhora as receitas de exportação e favorece o real. Para o Ibovespa, sustenta Petrobras e outras produtoras, mas também eleva custos de transporte, produção e inflação, pressionando empresas ligadas ao consumo e à atividade doméstica”, afirma Murad.

A própria movimentação das ações da Petrobras evidencia essa diferença. Mesmo com os papéis da estatal subindo perto de 2% durante a manhã, o principal índice da Bolsa permanecia no campo negativo. “O fato de Petrobras subir perto de 2% e, ainda assim, o índice recuar mostra que a pressão negativa está disseminada entre outros setores”, acrescenta o consultor.

O cenário externo permanece como um dos principais condicionantes para os próximos movimentos dos ativos brasileiros. Depois dos dados de inflação divulgados nesta semana, as atenções se concentram na próxima decisão de juros do Federal Reserve. Para o mercado brasileiro, uma postura mais moderada da autoridade monetária americana poderia favorecer a entrada de recursos em economias emergentes. O cenário oposto, com juros elevados por mais tempo, tende a aumentar a atratividade dos títulos americanos e reduzir o apetite por risco.