O Ibovespa opera em forte queda nesta terça-feira, pressionado pela piora do humor nos mercados globais após o Federal Reserve (Fed) sinalizar na semana passada a possibilidade de elevar os juros até o fim do ano. Investidores também analisam a ata da última …
O Ibovespa sobe no início da tarde desta terça-feira, após ter recuado na abertura dos negócios. A melhora ocorre em meio a um movimento de rotação global de carteiras, com investidores reduzindo exposição às ações de tecnologia em Nova York e migrando para papéis de valor, favorecendo especialmente os mercados emergentes. A queda das ações da Vale, porém, limita o avanço do índice.
Por volta das 13h, o Ibovespa subia 0,46%, aos 171.171 pontos, após oscilar entre os 168.495 pontos e os 171.255 pontos. O volume financeiro projetado para o Ibovespa era de R$ 14 bilhões.
Segundo o chefe da mesa de renda variável da Warren Investimentos, Ricardo Maluf, o mercado está reduzindo exposição às ações que lideraram o rali recente e migrando para papéis mais baratos e defensivos, principalmente diante da perspectiva de juros mais altos nos Estados Unidos. O movimento pressiona as bolsas americanas: o Nasdaq caía 1,91% e o S&P 500 recuava 1,27% e o Dow Jones rondava a estabilidade, com leve perda de 0,03%.
Maluf afirma ainda que o recuo de quase 10% do índice Kospi, da Coreia do Sul, aumentou as preocupações com os elevados “valuations” (avaliações) das empresas ligadas à cadeia global de tecnologia.
Esses receios também se refletiram nas ações da SpaceX, que tombaram 16% na véspera em meio a questionamentos sobre o volume de investimentos exigido pelo setor. Embora os papéis mostrassem uma leve recuperação nesta terça-feira, com alta de 4,49% no horário citado, o segmento de tecnologia do S&P 500 ainda recuava 3%, sinalizando realização de lucros e redução da exposição dos investidores a empresas ligadas à inteligência artificial.
Entre os destaques da sessão, as ações de bancos subiam em bloco: as units do BTG Pactual avançavam 0,54% e as ações ordinárias do Banco do Brasil ganhavam 1,02%, enquanto os papéis preferenciais de Bradesco e Itaú subiam 0,68% e 0,32%, respectivamente.
Apesar da queda dos preços do petróleo no exterior, com o Brent negociado na faixa dos US$ 76 por barril, as ações ON e PN da Petrobras avançavam 0,87% e 0,46%, respectivamente. Já os papéis da Vale recuavam 1,71%, diante da queda do minério de ferro em Dalian, na China, limitando um desempenho mais forte do índice.
Dados de rastreamento marítimo indicam que três superpetroleiros anteriormente retidos atravessaram o Estreito de Ormuz nesta terça-feira. Navios ligados ao Irã também seguiram utilizando a via marítima estratégica, enquanto o fluxo de embarcações aumentou na segunda-feira em meio ao avanço das negociações entre Washington e Teerã.
No campo macroeconômico, os investidores repercutem a ata do Comitê de Política Monetária (Copom), após o comunicado da semana passada ter sido considerado confuso por parte do mercado. Com a queda dos juros futuros, fontes ouvidas pelo Valor atribuem maior probabilidade à possibilidade de o Banco Central promover um novo corte da Selic na reunião de agosto.
Na liderança do pregão, MBRF ON avançava 3,99%, em dia de alta do dólar frente ao real e, na sequência, Assaí ON e Vivara ON subiam 3,77% e 3,40%, nessa ordem, diante da queda das taxas futuras.

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