A queda do Santander contaminou todo o setor bancário, um dos mais relevantes para o desempenho do Ibovespa
Priorizar nos meus resultados Google O Ibovespa opera em queda nesta quarta-feira, 29, pressionado pela temporada de balanços corporativos, que domina o humor dos investidores na abertura dos negócios. No cenário externo, o mercado também aguarda a decisão de política monetária do Federal Reserve (Fed), banco central dos Estados Unidos. A expectativa é de manutenção da taxa de juros na faixa entre 3,50% e 3,75% ao ano, mas investidores estarão atentos ao comunicado e às declarações do presidente da instituição, Kevin Warsh, em busca de sinais sobre os próximos passos da política monetária americana.
Por volta das 12h, o Ibovespa recuava 0,82%, aos 175.079,93 pontos. O dólar operava praticamente estável, na faixa de 5,12 reais. Na Bolsa brasileira, as atenções se concentram na repercussão dos balanços corporativos. A maior queda do dia era das ações do Santander, que recuavam 6,65%, cotadas a 25,83 reais. Na mínima do pregão, os papéis chegaram a cair 6,72%, para 25,81 reais.
A reação negativa ocorreu após o banco divulgar lucro líquido gerencial de 3 bilhões de reais no segundo trimestre de 2026, queda de 17,6% em relação ao mesmo período do ano anterior. O resultado ficou abaixo da expectativa do consenso da Bloomberg, que projetava lucro de 3,4 bilhões de reais.
O desempenho foi pressionado pela piora da qualidade da carteira de crédito. A inadimplência acima de 90 dias aumentou e exigiu um reforço nas Provisões para Devedores Duvidosos (PDD), reduzindo a rentabilidade e o lucro da instituição. A deterioração dos indicadores ocorre justamente durante a transição no comando do banco.
Mario Leão deixou o cargo de presidente-executivo no início de julho e foi substituído por Gilson Finkelsztain. Como a mudança ocorreu apenas ao fim do trimestre, o balanço ainda reflete integralmente a estratégia da antiga gestão, que encerrou seu ciclo sem cumprir uma de suas principais metas: alcançar retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) de 20%. Veja os detalhes do balanço do Santander e os fatores que levaram o mercado a reagir negativamente nesta reportagem.
A queda do Santander contaminou todo o setor bancário, um dos mais relevantes para o desempenho do Ibovespa. As ações do Itaú recuavam 1,58%, para 42,18 reais. O Bradesco caía 1,76%, para 18,44 reais, enquanto o Banco do Brasil recuava 0,58%, negociado a 20,71 reais.
Os quatro maiores bancos listados na Bolsa — Itaú Unibanco, Bradesco, Banco do Brasil e Santander — respondem por cerca de 19% da carteira teórica do Ibovespa. Por isso, movimentos mais intensos no setor costumam exercer forte influência sobre o desempenho do principal índice da Bolsa brasileira.
Enquanto o mercado acionário reage à temporada de balanços, o mercado de câmbio permanece praticamente estável à espera da decisão do Federal Reserve.
A expectativa é de que o banco central americano mantenha a taxa de juros entre 3,50% e 3,75% ao ano pela quinta reunião consecutiva. Segundo William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue, a manutenção dos juros não elimina a possibilidade de novas altas nos próximos meses. Apesar da desaceleração da inflação em junho, a recente alta do petróleo em meio às tensões no Oriente Médio pode voltar a pressionar os custos de energia, transporte e produção.
A reunião desta quarta-feira não contará com a divulgação de novas projeções econômicas nem do dot plot, gráfico que reúne as estimativas dos dirigentes do Fed para a trajetória dos juros. Com menos informações oficiais disponíveis, o foco do mercado estará no comunicado e na entrevista de Kevin Warsh.
Segundo Alves, desde que assumiu a presidência do Fed, Warsh adotou uma comunicação mais objetiva e reduziu o uso do forward guidance, estratégia pela qual o banco central antecipa possíveis movimentos futuros da política monetária.
“Quando não há uma sinalização prévia, você fica com mais incertezas do que certezas, mesmo depois de uma decisão”, afirma o estrategista.
A expectativa é que Warsh reforce o compromisso da autoridade monetária com o controle da inflação, sem antecipar uma decisão para a reunião de setembro. Apesar da perda recente de ritmo, a economia americana continua crescendo e o mercado de trabalho segue relativamente resiliente.
Em resumo, o Ibovespa é pressionado principalmente pela forte queda das ações do Santander, que contaminou o desempenho do setor bancário, um dos mais representativos da carteira do índice. No mercado de câmbio, o dólar permanece estável enquanto investidores aguardam a decisão do Federal Reserve e novas indicações sobre a trajetória dos juros nos Estados Unidos.



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