Índice opera em alta após queda na última sessão, enquanto investidores seguem atentos ao Copom, ao fluxo estrangeiro e aos impactos do tarifaço

Segundo Fábio Murad, sócio e fundador da Ipê Avaliações, a revisão do Boletim Focus, que reduziu a projeção de inflação para 2026, trouxe algum alívio ao mercado. No entanto, a piora das expectativas para 2027 e 2028 mantém as incertezas sobre os juros de longo prazo.

Além do cenário doméstico, o mercado segue monitorando os efeitos das novas tarifas impostas pelos Estados Unidos aos produtos brasileiros. Para Murad, a cobrança adicional de 25%, somada à nova alíquota de 12,5% para parte das exportações, aumenta a seletividade dos investidores, já que o impacto varia entre os diferentes setores da economia.

O fluxo de capital estrangeiro também continua no radar. Embora a Bolsa tenha recebido 2,6 bilhões de reais de investidores internacionais na primeira quinzena de julho, o montante ainda representa apenas uma recuperação parcial diante dos 22,8 bilhões de reais retirados entre maio e junho.

No mercado de câmbio, o dólar abriu praticamente estável, cotado a 5,08 reais, após recuar 0,6% na semana passada. Segundo Murad, a queda do preço do petróleo e a redução das tensões entre Estados Unidos e Irã diminuíram parte da pressão sobre a moeda americana. Por outro lado, as incertezas comerciais seguem sustentando a cautela, enquanto o elevado diferencial de juros continua favorecendo o real.

Para as próximas semanas, o especialista avalia que Bolsa e dólar devem continuar sensíveis à decisão do Copom, à temporada de balanços, ao fluxo de investidores estrangeiros e aos desdobramentos das negociações comerciais entre Brasil e Estados Unidos. “Uma redução das tensões internacionais pode favorecer os ativos brasileiros. Já uma nova escalada tarifária ou geopolítica tende a fortalecer o dólar e aumentar a seletividade na Bolsa”, afirma.