Ele foi central no marketing de 'A Odisseia', que arrecadou mais de US$ 1 bilhão. Entenda se a experiência imersiva (e cara) mais ajuda ou atrapalha o cinema.

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Introdução A história do IMAX, nascido da crise do cinema nos anos 50, é uma jornada de inovação para criar experiências imersivas. De filmes analógicos caros e barulhentos a adaptações digitais, o formato se tornou ícone de qualidade e imersão. Apesar dos custos e da exclusividade, o IMAX busca atrair o público de volta às telonas, com diretores como Nolan à frente.

Principais Tópicos

O nascimento do IMAX para salvar o cinema da concorrência da TV nos anos 50. Desafios da tecnologia analógica IMAX: câmeras pesadas, caras e ruidosas. A transição para o formato digital e a remasterização (DMR) para expansão. A paixão de diretores como Christopher Nolan pelo IMAX e a evolução do formato. A sustentabilidade do IMAX em um mercado de ingressos mais caros e público menor.

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Resumo gerado por ferramenta de IA treinada pela redação da Editora Abril.

Texto: Ana Clara Barreiro | Edição: Bela Lobato e Rafael Battaglia | Arte: Caroline Aranha

década de 1940 foi o auge da Era de Ouro de Hollywood. Nos EUA, as salas de cinema eram tão grandiosas que eram chamadas de “palácios”. Mas, na década seguinte, com a popularização da TV, o mercado entrou em crise.

Para muita gente, não fazia mais sentido sair do sofá para ver um filme. Com as bilheterias em queda, Hollywood buscou soluções para tornar única a experiência de ir ao cinema.

A principal ideia era ampliar a área de imagem exibida, com telas mais panorâmicas e imersivas (na época, tanto o cinema quanto a TV usavam o padrão 4:3 – quatro unidades de largura para três unidades de altura, também chamado de 1,33:1). Só que, para isso, era preciso mudar a própria forma de fazer cinema.

Na época, os filmes eram analógicos, gravados em película. A mais utilizada era a do padrão 4 perf. Cada quadro do rolo de filme tinha 35 mm de largura e quatro perfurações (daí o nome). As perfurações são os buraquinhos na borda da película. As câmeras e os projetores engancham nesses buracos e fazem o filme rodar no sentido vertical (de cima para baixo ou de baixo para cima).

Com o 4 perf, os cineastas conseguiam captar em proporção 1,33:1. Para aumentar essa proporção, a película passou por diversas alterações. Em 1954, a Paramount criou o VistaVision (1,50:1), que virou a película de 35 mm do sentido vertical para o horizontal (de um lado para o outro), aumentando a imagem. No ano seguinte, o produtor Mike Todd inovou com o Todd-AO (2,20:1), cuja película tinha 65 mm, mais larga.

Nada disso podia ser reproduzido nas TVs, e as telas de cinema foram mudando para abrigar novos formatos.

As experimentações continuaram. Em 1967, numa feira no Canadá, Graeme Ferguson exibiu um documentário em 11 telas. Já Roman Kroitor apresentou um filme em cinco telas simultâneas, em forma de cruz.

Só que o multitelas não era nada funcional. Ferguson e Kroitor perceberam que, para alcançar o efeito que queriam, a melhor saída era uma única tela gigante. Assim surgiu a Multiscreen – que hoje você conhece por IMAX (que dá nome ao formato e à empresa responsável por ele, a IMAX Corporation).

A proposta era virar a película de 65 mm na horizontal. Com isso, o modelo alcançou uma proporção de 1,43:1. A definição é equivalente a 18K, dez vezes maior que um filme em 35 mm e três vezes maior que os filmes em 65 mm filmados com a película correndo no sentido vertical.

Um dos principais trunfos do IMAX é que, dadas as suas dimensões, cenas gravadas em um plano aberto (quando o enquadramento mostra muito do cenário) se assemelham à visão do olho humano. “Esse fator resulta em imagens mais similares à realidade e mais imersivas, mesmo inconscientemente”, diz o pesquisador e cineasta Pablo Savalla em seu livro O Poder Esmagador do Cinema, que conta a história do IMAX.

Até hoje, o IMAX oferece uma das melhores qualidades de som e imagem disponíveis no mercado. Porém, seu desempenho é proporcional à dificuldade de manuseio: utilizar uma película tão grande implica uma câmera maior, mais pesada e cara.

Além do preço salgado, outro empecilho histórico das câmeras IMAX é o barulho: elas fazem um ruído estridente para puxar a película enorme. Muitas câmeras analógicas são barulhentas, de fato – mas a maioria utiliza blimps, caixas de isolamento acústico que anulam o som. Até pouco tempo atrás, não havia nenhum blimp para o IMAX.

Por isso, durante quase toda a existência do IMAX foi inviável gravar imagem e som ao mesmo tempo. O formato era reservado a produções que não necessariamente exigiam a captação conjunta, como documentários de natureza.

Nos anos 1970 e 1980, sem apelo comercial em Hollywood, o IMAX encontrou espaço dentro de museus e instituições culturais, com novas salas construídas sob medida nos EUA e no Canadá.

Como filmes gravados em IMAX têm uma proporção maior, exibi-los em salas convencionais significa perder boa parte da área extra de imagem obtida pela película. Enquanto uma sala normal tem 20 m de largura e 12 m de altura, as salas IMAX têm, pelo menos, 22 m de largura e 16 m de altura. Algumas são ainda maiores, passando dos 35 m de largura [veja o infográfico abaixo].

A IMAX Corporation monitora todas as salas IMAX, que devem atender a critérios rígidos de qualidade. As telas são levemente curvadas, para ampliar a imersão. A empresa tem um sistema de som próprio, além de um projetor específico para rodar uma película de 70 mm (na pós-produção, a película de 65 mm ganha 5 mm para a adição da trilha de som).

1% das salas de cinema do mundo são IMAX.