Onda de calor segue agravando seca e criando focos em toda a Europa
Compartilhar matériaUm incêndio florestal de rápida propagação forçou mais de 10.000 pessoas a deixarem suas casas e áreas de acampamento perto da costa atlântica da França, enquanto o calor extremo e o agravamento da seca alimentam incêndios por toda a Europa e cientistas alertam que as mudanças climáticas estão intensificando a escassez de água no continente.
Em toda a Europa, três ondas de calor consecutivas nesta temporada intensificaram a seca, sobrecarregaram o abastecimento de água e deixaram a vegetação extremamente seca e inflamável, fazendo com que os incêndios florestais queimem, só até julho deste ano, uma área maior do que a média anual das últimas duas décadas no continente que mais aquece no mundo.
O calor também foi apontado como causa de milhares de mortes.
Mais de 10.000 pessoas foram evacuadas durante a noite de quarta-feira (22) no sudoeste da França, à medida que um incêndio de rápida propagação consumia pelo menos 2.400 hectares de terra a oeste da cidade de Bordeaux, informaram as autoridades nesta quinta-feira (23).
Quinhentos bombeiros trabalham para controlar as chamas, informou a prefeitura, acrescentando que não houve feridos até o momento.
O incêndio ocorre perto da região da Baía de Arcachon, um destino turístico popular, e muitas das pessoas evacuadas são visitantes hospedados em áreas de acampamento. "Durante a noite, o fogo se espalhou mais rapidamente do que imaginávamos", disse Philippe de Gonneville, prefeito de Lège-Cap Ferret.
No país vizinho, a Espanha, as autoridades ainda trabalhavam para extinguir incêndios que ardiam há vários dias, enquanto na Itália um bombeiro de 59 anos morreu após passar mal enquanto combatia um grande incêndio florestal perto de San Cataldo, na Sicília.
A península de Cap Ferret abriga algumas das propriedades mais caras da França, onde é frequentada por parisienses e moradores de Bordeaux de classe alta.
Lège é o único dos 11 vilarejos da península atualmente ameaçado pelo fogo, mas Gonneville afirmou que as autoridades retiraram 5.200 pessoas durante a noite.
Ele disse que o acesso foi totalmente bloqueado e que planos de contingência estavam em vigor para evacuar toda a península, tanto por terra quanto por mar, se necessário.
O fogo já havia chegado aos limites de Lège, forçando a retirada de vários acampamentos e bairros próximos à floresta.
"Mudamos para cá há dois anos e meio porque é um lugar adorável, e não sabemos como lá vai estar quando voltarmos", disse Jeanine Clarke, de 46 anos, que foi realocada para um centro de acolhimento próximo com a família e o cachorro.
Elizabeth Carron, que estava acampando, contou que jantava quando viu as chamas. "O céu ficou vermelho. Preto e vermelho. Então, aos poucos, sentimos o cheiro. Havia cinzas sobre o carro, sobre o trailer, sobre a barraca dos meus netos. Duas horas depois, nos avisaram para sair."
Os incêndios florestais continuam sendo um grande desafio em toda a Espanha nesta quinta-feira (23), com as autoridades combatendo vários focos de fogo significativos.
A ADIF, operadora da infraestrutura ferroviária da Espanha, informou que a circulação de trens entre Mejorada del Campo e Alcalá de Henares, perto de Madri, foi suspensa devido a um incêndio florestal próximo aos trilhos.
A interrupção afetou os serviços na linha de trem de alta velocidade que liga Madri a Barcelona, um dos corredores de transporte mais movimentados do país.
Em toda a região central da Espanha, bombeiros, equipes de emergência e unidades militares permaneciam mobilizados enquanto as autoridades monitoravam múltiplos incêndios ativos, incluindo focos em Guadalajara, Toledo, Ciudad Real e Albacete. Mais de 100 mil hectares foram queimados em todo o país neste ano.
Mais de 10 mil mortes em excesso foram registradas na Europa e na Grã-Bretanha durante as duas ondas de calor recordes ocorridas em maio e no final de junho; cientistas afirmam que a única explicação plausível para esse número excepcionalmente alto está relacionada ao calor.
A Bélgica informou nesta quinta que o dia 27 de junho, durante a onda de calor do mês passado, foi o segundo dia com maior número de mortes no país no século XXI, registrando 650 óbitos.
A Europa sofre os maiores impactos do rápido aquecimento climático, com as temperaturas subindo mais do que o dobro da velocidade da média global.



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