Exportações de aço caíram de US$ 3,8 bilhões em 2023 para US$ 2,6 bilhões em 2025

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14.jul.2026 às 23h00

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Diego Felix Marcos Hermanson

São Paulo e Brasília

Lidando há um ano com as tarifas comerciais impostas pelo governo dos Estados Unidos, diversos setores da indústria brasileira ainda contabilizam o tamanho do impacto das decisões do presidente Donald Trump no dia a dia das empresas.

É o caso de indústrias que exportam produtos em grandes volumes como aço e alumínio, couro e calçados, móveis, têxtil, tabaco, armas e madeiras.

Essas empresas foram atingidas em momentos distintos: inicialmente, em abril de 2025, Trump submeteu o Brasil a uma tarifa mínima de 10% sobre produtos exportados com base no IEEPA (International Emergency Economic Powers Act).

Diferente do restante da pauta exportadora atingida pelas tarifas, aço e alumínio seguem uma linha do tempo à parte. Desde junho de 2025, os dois metais pagam uma tarifa setorial de 50% com base na Seção 232 —mecanismo apoiado na Lei de Expansão Comercial de 1962, usado por motivos de segurança nacional.

Além dos 10% em vigor desde abril do ano passado, em julho Trump anunciou uma sobretaxa adicional de 40% sobre outros produtos brasileiros. Quando a Suprema Corte dos EUA derrubou, em fevereiro de 2026, as tarifas amparadas na IEEPA, aço e alumínio não foram afetados justamente por terem bases distintas de aplicação das regras.

Atualmente, duas seções aparecem com mais frequência: a 232, que dá ao presidente o poder de taxar setores específicos por motivos de segurança nacional, e a 122, aplicada desde fevereiro deste ano e que permite tarifas de até 15% para conter desequilíbrios na balança comercial.

A decisão do governo Trump prevista para esta quarta-feira (15) avalia a possível aplicação da Seção 301, que permite ao USTR (Representante de Comércio dos EUA) investigar se um país adota práticas comerciais consideradas desleais. No caso brasileiro, a investigação mira pontos como a tarifação do etanol, as regras de meios de pagamentos como o Pix, uso da propriedade intelectual e o combate ao desmatamento ilegal.

A indústria do aço enviou o equivalente a US$ 3,8 bilhões em produtos aos Estados Unidos em 2023 e vinha perdendo espaço na indústria norte-americana antes da chegada de Trump. Em 2024 foram exportados US$ 2,8 bilhões (queda de 26,1%) e, em 2025, US$ 2,6 bilhões. De janeiro a maio deste ano, a indústria do aço enviou US$ 977,7 milhões em produtos, segundo dados da ApexBrasil.

O Brasil é o segundo maior exportador de aço aos EUA, concentrado em produtos primários de baixo valor agregado —e que estão mais expostos às aplicações de tarifas dos norte-americanos.

"A expectativa é ser incluído na lista de isenções", diz Fausto Cançado, presidente do Sindifer (Sindicato das Indústrias do Ferro) de Minas Gerais, ecoando uma expectativa compartilhada com outros setores.

Numa conta preliminar, o Sindifer estima que 55% das fábricas brasileiras de ferro-gusa (matéria-prima do aço) podem parar de forma definitiva ou temporária se as novas tarifas forem aplicadas.

No setor de máquinas e equipamentos, a queda nas exportações aos EUA chegou a 9,1% ano passado. Por outro lado, a Abimaq, associação do setor, reportou um aumento expressivo nas vendas para Argentina (alta de 38,4%), Singapura (74,3%), Peru (22,5%) e Chile (17%).

Segundo a associação, parte do crescimento das exportações para países como Argentina e Singapura não decorrem do tarifaço, mas de fatores externos, como a melhora econômica desses mercados e ajustes temporários nas rotas de abastecimento.

Em nota, a Abimaq explicou que o setor depende de longos ciclos de negociação, homologação e testes técnicos, o que torna impossível redirecionar rapidamente as vendas para outros mercados.