Pediatra infectologista Renato Kfouri fala sobre a suspensão do imunizante contra dengue e suas implicações; veja também o que diz o instituto
Diante da suspensão da vacina contra a dengue produzida pelo Instituto Butantan anunciada nesta segunda-feira (8) pelo Ministério da Saúde, Programa Nacional de Imunizações (PNI) e Agência de Vigilância Sanitária (Anvisa), por conta da constatação de reações adversas, duas delas que evoluíram para casos graves e óbitos, a preocupação agora se volta para quem recebeu a dose recentemente.
Considerando as dúvidas que podem surgir, o iG ouviu o pediatra infectologista Renato Kfouri, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações.
O especialista explicou que não há uma indicação especial para aqueles que já tomaram a vacina contra a dengue do Butantan, que é aplicada em dose única. Segundo ele, somente é orientado atenção nos 21 dias subsequentes à vacinação.
O infectologista pondera que os eventos adversos ou efeitos colaterais graves que resultaram na suspensão da vacina podem ou não estar relacionados à vacina; a medida se dá justamente para que os fatos sejam analisados.
No caso da vacina do Butantan, ele enfatiza que, em mais de 500 mil doses aplicadas, foram 42 indivíduos que desenvolveram sinais parecidos com a dengue grave. E é muito difícil a separação se esses 42 tiveram de fato uma dengue após terem sido vacinados ou se tiveram alguma reação da vacina que lembra a dengue.
Porém, ressalta ele, em três outros casos, o problema evoluiu para a forma grave da doença, inclusive com duas mortes ocorrendo na sequência de uma vacinação. Isso, conforme explica Kfouri, é o que os especialistas chamam de um sinal de segurança, um sinal de preocupação que resultou na suspensão da vacina como estratégia, em nome da segurança e da responsabilidade do programa.
O especialista destacou que a suspensão diz respeito à vacina do Butantan. A outra vacina contra a dengue, da farmacêutica Takeda, continua sendo administrada em adolescentes de 10 a 14 anos, que não mostrou nenhum sinal de insegurança, nenhuma preocupação e continua sendo administrada.
Por meio de comunicado, o Instituto Butantan informou que, no momento, da suspensão do imunizante, profissionais de saúde estavam sendo vacinados.
Reafirmou que a medida visa garantir a segurança da população nas próximas etapas da vacinação e que o instituto “mantém seu compromisso e rigor absolutos com a ciência e a saúde da população”.
Disse que seguirá trabalhando para apoiar o Ministério da Saúde e a Anvisa, fornecendo todas as informações disponíveis sobre a vacina, realizando novos estudos e acompanhando o trabalho de farmacovigilância dos vacinados.
O Butantan encerra a nota destacando que, “como já demonstrado em casos recentes, seguirá trabalhando com o mais absoluto rigor para aprofundar as informações sobre o uso da vacina para que, em se confirmando sua segurança, a vacinação possa ser retomada em breve, com toda a tranquilidade para a população atendida pelo SUS”.
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