Campanha do filho de Jair Bolsonaro nega ter conhecimento sobre anúncios publicados nos últimos dias

benefício do assinante

Você tem 7 acessos por dia para dar de presente. Qualquer pessoa que não é assinante poderá ler.

benefício do assinante

Assinantes podem liberar 7 acessos por dia para conteúdos da Folha.

Salvar para ler depois

Recurso exclusivo para assinantes

assine ou faça login

22.set.2026 às 22h21

Ana Luiza Albuquerque

Uma série de contas estrangeiras, em sua maioria ligadas ao ecossistema do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, têm publicado conteúdo pago para divulgar a disparada de Flávio Bolsonaro (PL) nas apostas da empresa americana Polymarket, bloqueada desde abril no Brasil.

A empresa faz parte de um mercado de previsão, no qual os usuários apostam em qual será o desfecho de eventos futuros, como as eleições brasileiras.

A Folha contabilizou que, de sexta (18) a segunda-feira (21), ao menos 11 usuários do X, antigo Twitter, publicaram propaganda paga sobre o assunto, por vezes com conteúdo explicitamente elogioso ao filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), acompanhado de um gráfico da Polymarket.

A lei eleitoral veda o impulsionamento de propaganda para qualquer candidato por terceiros e proíbe doações (em dinheiro ou estimáveis) de entidades estrangeiras. Questionada, a campanha de Flávio respondeu que não tem conhecimento sobre os anúncios.

Abaixo das publicações, aparece o rótulo de "parceria paga", sem a identificação do responsável pelos pagamentos. A imprensa americana já noticiou que a Polymarket tem o hábito de contratar influenciadores para divulgar propaganda.

As contas que veicularam o conteúdo nos últimos dias podem ser divididas em dois blocos: um reúne influenciadores que publicam conteúdo alinhado com Trump e seu movimento, o Make America Great Again, e o outro diz respeito a contas que adotam uma estética noticiosa para escrever sobre assuntos geopolíticos, como a guerra na Faixa de Gaza e na Ucrânia.

Um dos usuários envolvidos na veiculação dessa propaganda é o ex-deputado republicano Matt Gaetz, que tem 3,4 milhões de seguidores. Aliado de Trump, ele foi deputado pela Flórida de 2017 a 2024 e chegou a ser apontado pelo presidente para a procuradoria-geral dos EUA. Desistiu, porém, em meio ao avanço de investigações de crimes sexuais, que ele negou ter cometido.

"Flávio pode salvar o Brasil. Este é o grande prêmio nas Américas", escreveu Gaetz nesta segunda.

Outra conta que publicou o anúncio foi a da UHN Plus, com 1,2 milhão de seguidores, que opera da Flórida, publica conteúdos de direita em espanhol e diz no X ser "movida" pela Polymarket.

A empresa associada a esse usuário está registrada no estado sob o nome "UHN Plus Media Network, INC". Seu vice-presidente é o espanhol Javier Negre, que foi sócio do consultor político argentino Fernando Cerimedo no veículo de desinformação de direita "La Derecha Diario".

Cerimedo, que é amigo do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL), é conhecido por seu envolvimento em campanhas da direita na América Latina e já admitiu o uso de robôs nas redes sociais. Ele foi preso em agosto na Bolívia, onde mora, acusado de ter ordenado o assassinato da então companheira, Nadia Beller.

Ela sobreviveu e conversou com a Folha: disse que o argentino afirmou que lutaria pela eleição de Flávio, que ele se encontrou com Eduardo no início de agosto e que Cerimedo trabalhou na eleição de Jair Bolsonaro em 2022.

O influenciador americano George Behizy, que tem 639 mil seguidores, entre eles o próprio Flávio Bolsonaro, também publicou a propaganda. Behizy é alinhado ao movimento trumpista e disseminou desinformação sobre supostas fraudes nas eleições americanas.

"Tudo está prestes a mudar no hemisfério Ocidental. Flávio Bolsonaro continua em alta, apesar de todas as mentiras de última hora espalhadas pelo governo comunista de Lula", escreveu no anúncio pago, divulgado no domingo (20). "Na verdade, Lula agora está tentando subornar os eleitores com benefícios sociais caso vença a eleição."