Para reduzir o volume de agrotóxicos químicos usados nos cultivos, cientistas investem cada vez mais nos chamados bioinsumos
A busca por uma agricultura mais sustentável e resiliente às mudanças climáticas ganhou um novo capítulo que promete transformar a maneira como os defensores e nutrientes biológicos são desenvolvidos. Em vez de apenas procurar na natureza por microrganismos benéficos para as lavouras, cientistas e engenheiros biológicos agora apostam na convergência entre inteligência artificial (IA) e biologia sintética para “projetar” a próxima geração de bioinsumos agrícolas.
Para reduzir o volume de agrotóxicos químicos usados nos cultivos, cientistas investem cada vez mais nos chamados bioinsumos. Alguns desses microorganismos são usados no combate natural de pragas. Outros aumentam a produtividade do plantio por serem capazes, por exemplo, de fixar nitrogênio e disponibilizar fósforo. O objetivo agora é, por meio da engenharia genética, tornar os bioinsumos mais eficientes. Com isso, acreditamos especialistas, a produção ganhará escala.
A estratégia reflete uma mudança fundamental de paradigma no setor. Enquanto a primeira geração de bioinsumos dependia essencialmente da descoberta casual e seleção empírica de organismos no meio ambiente, a nova fronteira científica foca na engenharia biológica.
“A primeira geração dos bioinsumos foi descoberta na natureza. A próxima será projetada pela convergência entre bioengenharia e inteligência artificial”, afirma Mateus Schreiner Garcez Lopes, cientista e CEO da Terra Genomics, startup nacional que está liderando essa abordagem no País. “Essa é a transformação que acreditamos que definirá a próxima década da agricultura e da biotecnologia.”
De acordo com o biólogo Fernando Reinach, conselheiro científico da startup, a ideia é modificar os microorganismos para torná-los mais eficientes ou mais adequados a determinados ambientes.
“Em muitos casos, por exemplo, sabemos que determinado microorganismo aumenta a disponibilização de fósforo para as plantas, mas não sabemos exatamente por meio de qual mecanismo isso acontece”, explica Reinach. “Então, o que essa empresa vai fazer é tentar descobrir os mecanimsos e aprimorá-los para ganharmos mais eficiência.”
Modelos de inteligência artificial vão analisar grandes volumes de dados biológicos, indicando quais modificações genéticas teriam maior probabilidade de sucesso para atingir as funções desejadas, reduzindo drasticamente o número de experimentos necessários em laboratório. Utilizando ferramentas de biologia molecular e engenharia metabólica, os cientistas implementam as modificações projetadas de forma precisa no DNA para construir novas linhagens de microrganismos.
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Embora o motor da iniciativa seja científico, o potencial disruptivo do modelo atraiu a atenção de investidores de capital de risco focados no ecossistema das chamadas deeptechs. A Terra Genomics anunciou a conclusão de uma rodada de investimentos no valor de R$ 18 milhões; um dos maiores aportes iniciais já realizados no segmento de biotecnologia voltada ao agronegócio brasileiro. A rodada foi liderada pelo fundo Pitanga Redux - veículo de investimentos focado em empresas de base científica de forte impacto.


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