Apurações sobre aplicações ligadas ao Banco Master avançam sobre fundos de previdência de servidores e já miram figuras centrais de grandes partidos
Priorizar nos meus resultados Google O caso Banco Master entrou em uma fase politicamente mais sensível. Depois de meses de ruídos no mercado financeiro e no Congresso, as investigações sobre aplicações de regimes próprios de previdência de estados e municípios passaram a cruzar o calendário eleitoral de 2026.
Nos bastidores, a avaliação é que os próximos passos das apurações podem atingir um núcleo mais político do caso. Interlocutores que acompanham a investigação afirmam que figuras centrais de grandes partidos passaram a aparecer no radar por suas conexões com gestores locais, consultores e operadores que atuavam na intermediação de aplicações de RPPS.
O foco está nos fundos que bancam aposentadorias e pensões de servidores públicos. O caso mais vistoso é o da Rioprevidência: a Polícia Federal apura R$ 2,01 bilhões em aplicações em fundos ligados ao Master a partir de 2024, além de R$ 970 milhões em Letras Financeiras identificados na Operação Barco de Papel. Mas a investigação já mira aplicações feitas por fundos de previdência de servidores em diferentes entes públicos, o que levou Câmara e Senado a abrirem frentes para acompanhar o alcance nacional do problema.
Os valores deram novo peso político ao caso. O que começou como crise bancária e regulatória passou a alcançar uma rede sensível para deputados e senadores: prefeitos, gestores locais, consultores, intermediários financeiros e estruturas regionais ligadas a fundos de previdência. É nessa cadeia de influência que investigadores buscam entender se houve pressão, facilitação ou direcionamento político de investimentos.
A Operação Compliance Zero, deflagrada em novembro de 2025, começou com sete mandados de prisão e 25 de busca e apreensão em cinco unidades da federação para investigar a emissão de títulos de crédito falsos. Em abril, uma nova fase avançou sobre suspeitas de lavagem de dinheiro para pagamento de vantagens indevidas a agentes públicos, com mandados expedidos pelo Supremo Tribunal Federal.
O tema também saiu do bastidor. A Câmara realizou audiência sobre os efeitos do caso Master nos RPPS, e a Comissão de Assuntos Econômicos do Senado criou um grupo para acompanhar as investigações, com pedidos de informações ao Banco Central, à CVM, à Polícia Federal e ao Tribunal de Contas da União.
O risco para o governo é que a agenda econômica do segundo semestre depende de um ambiente político menos contaminado. Medidas de arrecadação, revisão de benefícios, mudanças regulatórias e projetos fiscais exigem acordos finos entre Planalto e Congresso. Em ano pré-eleitoral, qualquer apuração com potencial de atingir figuras influentes em grandes legendas tende a elevar o custo das negociações.
Ainda não há prova pública consolidada de que parlamentares tenham direcionado aplicações de RPPS. Mas o incômodo já está instalado. A investigação se aproxima do ponto em que mercado financeiro, previdência pública, grandes partidos e eleição passam a ocupar a mesma mesa de negociação.




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