Líder do governo no Senado avalia que eventual saída do posto deve ser construída em comum acordo com Lula para evitar leitura de demissão.

O senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo no Senado, afirmou a aliados que apenas ele e o presidente Lula devem definir o momento de sua provável saída da função, apesar da pressão de setores do Palácio do Planalto após a operação da Polícia Federal no caso Master.

Segundo pessoas próximas ao parlamentar, Wagner avalia que a amizade e a parceria política de quase 50 anos com Lula exigem uma solução construída em comum acordo. O objetivo do senador é evitar que a decisão pareça uma demissão imposta pelo governo.

Desde que a Polícia Federal mirou Wagner em uma operação no âmbito do caso Master, na quinta-feira (18/6), ministros palacianos passaram a defender que ele tome a iniciativa e peça para deixar a liderança do governo no Senado.

Auxiliares presidenciais temem que o episódio contamine a campanha de reeleição de Lula. A oposição já usa o caso para tentar desgastar o presidente, segundo a coluna que revelou a movimentação.

Pessoas próximas a Wagner disseram, sob reserva, que o senador “não é apegado” ao cargo e não insistiria em permanecer na liderança se avaliasse que sua presença pode prejudicar Lula politicamente.

O petista, porém, se irritou com o que considera um movimento orquestrado de alguns ministros do Planalto para pressioná-lo a deixar o posto rapidamente. Para aliados, o incômodo está menos na saída em si e mais na forma como a decisão pode ser apresentada.

Um aliado do líder do governo afirmou que Wagner quer preservar a presunção de inocência e evitar que a saída soe como pré-julgamento. “Jaques não é apegado (ao cargo). O ponto é o gesto. Ninguém pode pré-julgar. Ele tem direito à presunção de inocência”, disse.

Aliados do senador também citam o tratamento dado por Lula à saída de Juscelino Filho (União Brasil) do Ministério das Comunicações. O então ministro deixou o governo apenas depois de a Procuradoria-Geral da República apresentar denúncia contra ele.

A expectativa é que Lula e Wagner se reúnam nesta semana em Brasília para definir o futuro do senador na liderança do governo. A conversa deve ocorrer entre terça-feira (23/6) e quarta-feira (24/6).