Morreu no dia 29 de agosto o historiador econômico americano Jeffrey Williamson. O pesquisador se dedicou a estudar o desenvolvimento da economia global do final do século 18 até o fim da Pax Britânica, com a Primeira Guerra Mundial . Leia mais (09/05/2026 - 23h00)

Pesquisador do BTG Pactual e do FGV IBRE e doutor em economia

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Morreu no dia 29 de agosto o historiador econômico americano Jeffrey Williamson. O pesquisador se dedicou a estudar o desenvolvimento da economia global do final do século 18 até o fim da Pax Britânica, com a Primeira Guerra Mundial.

O tema de Williamson era estudar o papel da economia global na formação da grande divergência entre as diversas periferias —leste da Europa, América Latina, Império Otomano, Índia, Filipinas, Indonésia, China e Japão— e o centro, as economias da Europa Ocidental.

O argumento, com muitas diferenças, lembra o modelo centro-periferia da Cepal (Comissão Econômica para a América Latina). Williamson documenta que houve forte desindustrialização na Índia e no Império Otomano, do final do século 18 até o terceiro quarto do século 19. A demanda por matérias-primas gerava grandes ganhos de termos de troca na periferia, que desestimulavam a indústria existente.

Na Índia, problemas climáticos e a desorganização do Império Mogol, em associação com ganhos moderados de termos de troca, produziram forte desindustrialização.

O México sofreu desindustrialização na primeira metade do século 19. A partir do terceiro quarto do século, os termos de troca deixaram de se elevar e uma política mais consistente de desenvolvimento industrial teve o resultado almejado, principalmente na indústria têxtil.

A partir de cuidadosos estudos com bases de dados primárias, Williamson mostrou que a América Latina empregou tarifas de importação muito elevadas e, a partir do final do século 19, havia claros sinais de uma política intencional de industrialização.

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Para o Brasil, Williamson documentou que tivemos, de 1870 até a Primeira Guerra, certa estabilidade dos termos de troca. Praticamos tarifas muito elevadas de importação de bens manufaturados e as tarifas de importação de alimentos, principalmente grãos, eram relativamente baixas. O barateamento dos alimentos ajudava a reduzir o custo do trabalho e estimulava a industrialização.

Olhando os achados de Williamson para o Brasil, ao contrário do que imaginamos, não fomos mal, do final do Império e até a Primeira República, no estímulo à industrialização, em comparação com os demais países da região.

Onde fomos muito mal, e carregamos essa cruz até hoje, foi no investimento na escolarização.

Esses e muitos outros achados estão no excelente livro de Williamson de 2011, "Trade and Poverty: When the Third World Fell Behind" ["Comércio e Pobreza: Quando o Terceiro Mundo Ficou para Trás", não publicado no Brasil] que resume 50 anos de muita pesquisa.