Candidato ao governo de Pernambucoo pela Frente Popular, João Campos (PSB) - Foto: Arthur Botelho/Folha de Pernambuco O candidato ao governo de Pernambuco João Campos (PSB) prometeu que, caso eleito, irá isentar o Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) para motoristas de aplicativo. A proposta foi anunciada ontem, no segundo dia da série de sabatinas da Rádio Folha 96,7 FM.

“Anuncio em primeira mão que a gente acaba de firmar o compromisso de zerar o IPVA do Uber a partir do ano que vem. São 45 mil veículos que podem ser beneficiados, e as pessoas que trabalham como Uber. Alguns estados já fazem isso”, anunciou. Segundo o socialista, a isenção representará uma redução nos custos dos trabalhadores que utilizam os veículos como instrumento de trabalho. 

Educação

Na área da educação, João criticou a atuação do governo estadual na educação e propôs a ampliação dos ensinos integral e técnico. “A gente vai ampliar a educação integral que, infelizmente, reduziu. No último censo escolar, Pernambuco perdeu mais de 20 mil matrículas de educação integral. Isso está no censo escolar consolidado pelo Todos Pela Educação. Vamos expandir a rede de ensino técnico”, disse.

O ex-prefeito do Recife também alfinetou a gestão atual da governadora Raquel Lyra (PSD) ao afirmar que administração não possui um plano estratégico para a educação. 

“Hoje, o governo do estado não tem um roteiro estratégico de investimento na educação. O maior investimento feito foi nos ônibus escolares. Isso é importante, agora, é preciso calibrar esse gasto para ele ser feito na medida necessária e não ser algo exagerado e tirar de outra área”, pontuou o postulante.

Ainda na área educacional, o socialista reforçou as propostas de ampliação do programa o “Pé-de-meião”, conjunto de três benefícios estaduais que complementariam o programa federal com o mesmo nome, e de implementação do Embarque Digital Pernambuco, com 10 mil vagas em tecnologia sendo ofertadas para jovens de todas as regiões do estado.

Na segurança pública, João Campos reafirmou o combate ao crime organizado. Na proposta, o candidato afirmou que o estado trabalhará com duas frentes para enfrentar o problema. “A gente vai lançar primeiro um pacto antifacção, em que a gente vai ter duas frentes: uma é o cuidado do território e não permitir que o cidadão pague essa conta. No ‘outro braço’, a gente precisa ir no ‘andar de cima’, rastrear o dinheiro do crime.”

O socialista também afirmou que pretende implementar o programa “De Olho na Estrada”, iniciativa que utilizará tecnologia, inteligência artificial e integração das forças de segurança para ampliar o combate ao crime nas rodovias pernambucanas.

“As divisas estaduais precisam ser monitoradas. Não é uma câmera para estar multando um pai de família, um agricultor. É para fiscalizar veículo com placa clonada, veículo roubado, com movimento suspeito, blitz para poder parar nas divisas e ter uma sensação de que o estado cuida de verdade da segurança do cidadão”, destacou.

O postulante ainda propôs medidas no combate ao feminicídio e se comprometeu a fornecer a quantidade necessária de tornozeleiras eletrônicas para o Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE).

“A gente vai ampliar a rede de delegacias (da mulher), garantir que todas elas vão funcionar no modelo de 24 horas e compraremos quantas tornozeleiras forem necessárias. Hoje tem mais de 18 mil pessoas com medidas protetivas sem o monitoramento eletrônico. No mês de janeiro, eu vou procurar o presidente do TJPE e vou deixar com ele um ofício dizendo que o estado de Pernambuco garante quantas tornozeleiras a Justiça pernambucana precisar”, garantiu.

No âmbito da saúde, João Campos reforçou a proposta de construir quatro novos hospitais: o Hospital da Criança do Agreste, em Caruaru; o Hospital Geral de Araripina; o Hospital Geral do Vale do São Francisco, em Petrolina; e o Hospital Geral Metropolitano, localizado entre o Recife e Jaboatão dos Guararapes – este, com 900 leitos.

“A gente vai zerar a fila de procedimentos cirúrgicos da Região Metropolitana (do Recife) e vai conseguir também, garantir um número de leitos suficiente para tirar a superlotação do hospital estadual. Com a construção desses hospitais e a ampliação do Hospital Regional de Arcoverde, além da requalificação das unidades existentes, a gente vai garantir que o pernambucano vai estar a 2 horas de distância de um hospital de alta complexidade”, garantiu.

O postulante ao governo estadual também defendeu a criação de uma rede de centros especializados para atendimento de pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) em todas as regiões do estado. Na atenção básica, propôs apoiar os municípios na digitalização das unidades e dos prontuários, além de integrar os sistemas de regulação para agilizar o encaminhamento dos pacientes.

Durante a sabatina, João Campos também comentou o potencial de Pernambuco no setor industrial. Na ocasião, o socialista criticou Raquel Lyra ao afirmar que nenhuma grande indústria foi inaugurada na gestão dela e prometeu a chegada de indústrias de “grande porte” no estado, caso eleito.

“Qual é a grande indústria que está sendo construída ou que foi inaugurada em Pernambuco pela liderança do estado nesses três anos e meio? Não teve uma. Agora, eu digo: eu vou trazer uma indústria de grande porte. Eu vou na China, na Europa, Estados Unidos, vou rodar o mundo, e eu vou trazer”, prometeu.

O candidato ainda disse que caso o pai e ex-governador, Eduardo Campos, ou ele estivesse na gestão do estado, os investimentos no setor chegariam a Pernambuco. O postulante ao Executivo estadual ainda garantiu que a chegada de novas indústrias será na Mata Sul do estado.

Campos também defendeu que a execução do trecho pernambucano da obra da Transnordestina seja repassado ao governo do estado com um aporte financeiro conjunto entre o governo federal e o estadual.

“Vamos construir um fundo onde o governo federal aporta 90% do valor da obra e o estado bota mais 10%. Pernambuco toca a obra e faz uma obra que começa tanto do Sertão entrando pro litoral como do litoral entrando pro Sertão, para ser viável fazer uma concessão rápida e a gente conseguir ter uma concorrência com o modelo do Ceará”, argumentou.