O antigo ministro da Educação, João Costa, defende que, perante a falta de professores, o país tem de focar o investimento na formação contínua em vez de reduzir as exigências de qualificação docente.

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Começa agora a comissão de inquérito das manhãs 360. Hoje é nosso convidado João Costa, o antigo ministro da Educação. Bom dia, bem-vindo.

Foi o nosso segundo convidado em maio de 2024. Lembra-se quanto é que fez, João Costa?

14 pontos. Hoje prometo muito menos. Estive de férias.

Mas há aqui um grande espaço de melhoria.

Vamos já baixar as expectativas, pronto. É melhor do que isto.

Do nosso lado não deu nada, continuam a ser cinco perguntas para o máximo de 25 pontos, mas estava aqui a dizer-nos, penso que posso partilhar, que em 12 dias de férias leu três livros ou é ao contrário?

É uma média de mais de um por dia.

Um e qualquer coisa por dia.

Eu leio rápido, que é uma coisa que me sai cara, e para mim férias é praia e leitura.

E nota-se pelo seu ar descansado.

Vamos ver se sai assim tão descansado de hoje disto.

Vamos ver se agora não vai pagar as férias com a falta de conhecimento da atualidade.

Vamos ver. Esta semana ficámos a saber que os resultados das revisões dos exames nacionais da segunda fase do ensino secundário já não vão ser afixadas a 28 de agosto, mas sim no próximo mês. Em que dia, João Costa?

Afinal, há coisas que ficam, há coisas que são mais do que outras. Como ex-ministro com esta pasta da Educação, como professor, é legítimo adiar a tranquilidade e o futuro dos alunos até meados de setembro? O governo errou na gestão das prioridades?

numa perspetiva até construtiva, a dada altura escrevi, deixei algumas sugestões daquilo que podia ter sido feito para não estarmos com remendos em cima de remendos. Acho que tinha sido preferível dar um bocadinho mais de tempo naquela fase em que as coisas correram mal para tentar ter o processo de candidaturas ao ensino superior com mais tranquilidade para os estudantes, em particular, mas também para não caminharmos para aquilo que eu acho que aconteceu, que é termos situações de desigualdade que estão instaladas e que não são resolúveis. Por exemplo, vimos, penso que esta semana, o caso de uma aluna que tem uma nota, que é uma nota artificial, porque o tribunal decidiu dar-lhe a cotação máxima devido a páginas que desapareceram e nunca apareceram no exame. Isto resolve o problema daquela aluna, mas cria uma injustiça face a outros. Portanto, acho que houve ali uma tentativa de tomar o calendário como o grande objetivo, em detrimento da qualidade do processo. E portanto, acho que todos temos pena que seja assim. E é um ano em que estas desigualdades estão criadas e o que todos desejamos, penso eu, é que para o ano tudo isso esteja sanado.

E acha que, conhecendo bem os serviços como conhece, que depois deste solavanco e tudo aquilo que correu mal este ano, já há condições agora para que este processo fique?

Não, este processo, vamos lá ver, isto não é propriamente uma digitalização das provas. Isto é escanear exames feitos em papel, portanto, o processo começa em papel, acaba em papel. Ele tem vantagens, ninguém põe em causa as vantagens disto. E penso, e neste momento acho que é absolutamente evidente, que o que não se fez foi trabalhar em cima de um piloto que já tinha corrido mal. O piloto de Filosofia tinha muitos erros, não se trabalhou em cima desses erros e avançou-se para uma generalização. Acho que este ano será também, infelizmente para os alunos, mas é um ano em que houve muitas aprendizagens e portanto agora há um ano para preparar uma operação exames sem os problemas todos. Penso que vai haver investigações, vai haver auditorias, etc. Mais do que apurar as responsabilidades, é preciso calibrar o processo para que nada disto volte a acontecer. Isto foi muito mau.

Muito bem. Vamos seguinte?

Começámos bem, com cinco pontos.