Há uma pergunta que o jornalismo brasileiro ainda não respondeu por completo: se quatro anos de formação universitária não são necessários para exercer a profissão, qual é o valor de aprender a apurar, entrevistar, checar, reportar, editar e compreender os li…

Há uma pergunta que o jornalismo brasileiro ainda não respondeu por completo: se quatro anos de formação universitária não são necessários para exercer a profissão, qual é o valor de aprender a apurar, entrevistar, checar, reportar, editar e compreender os limites éticos e jurídicos da informação antes de assumir profissionalmente a responsabilidade de levá-la à sociedade?

Desde 2009, ter diploma de curso superior em jornalismo deixou de ser requisito obrigatório para exercer a profissão no Brasil. Naquele ano, o Supremo Tribunal Federal afastou a exigência prevista no Decreto-Lei nº 972/1969, ao entender que condicionar a atividade à formação específica contrariava as liberdades de expressão e de informação. A decisão resolveu a controvérsia jurídica daquele momento, mas não encerrou uma discussão que, mais de uma década depois, continua atual: afinal, o que diferencia o exercício profissional do jornalismo do simples direito de comunicar?