Morte foi confirmada à AFP por um funcionário do tribunal distrital onde ele atuava em Nova York
O juiz americano Alvin K. Hellerstein, que conduzia o processo em Nova York do ex-ditador da Venezuela, Nicolás Maduro, morreu nesta quarta-feira, 28, aos 92 anos. A informação foi confirmada por um funcionário do Judiciário.
Por ser um dos juízes federais mais antigos do país, haviam surgido dúvidas sobre se ele seria o magistrado adequado para presidir o que poderia ser um longo julgamento contra Maduro por acusações de narcotráfico e outras.
A extensa carreira de Hellerstein incluiu a supervisão dos processos civis decorrentes dos atentados terroristas da Al-Qaeda de 11 de setembro de 2001, em Nova York e Washington, nos quais frequentemente rejeitou acordos que considerava injustos para os autores das ações.
Sua morte foi confirmada à AFP por um funcionário do tribunal distrital onde ele atuava em Nova York. Mais tarde, um documento judicial informou que o caso de Maduro foi atribuído à juíza Analisa Torres, nascida em 1959.
Hellerstein conduziu por mais de uma década o processo de narcotráfico relacionado a Maduro, que já resultou na condenação do ex-chefe de inteligência da Venezuela Hugo Armando Carvajal.
Maduro foi capturado por forças americanas em janeiro, durante uma operação militar em Caracas.
Hellerstein também confrontou Donald Trump ao rejeitar um pedido do presidente americano para transferir à Justiça federal seu processo em Nova York por pagamentos não declarados.
No ano passado, ele também impediu que o governo Trump deportasse supostos integrantes de uma organização criminosa venezuelana sem uma audiência judicial.
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Em uma decisão de destaque de 2015, Hellerstein ordenou ao governo dos Estados Unidos que divulgasse um grande número de fotografias que mostravam abusos contra detidos no Iraque e no Afeganistão.
Ele também presidiu um julgamento no ano passado no qual um júri concluiu que as atividades do gigante bancário francês BNP Paribas no Sudão haviam contribuído para sustentar o regime do ex-governante Omar al-Bashir e concedeu US$ 20,75 milhões (R$ 110,8 milhões) em indenizações a três autores sudaneses.
Formado em Direito pela Universidade Columbia, Hellerstein atuou como advogado no Exército dos Estados Unidos de 1957 a 1960, antes de ingressar na advocacia privada.
Foi indicado pelo então presidente Bill Clinton, em 1998, para o cargo de juiz do Distrito Sul de Nova York. / AFP
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