Ato em homenagem à estudante Giovanna Bezerra Silva, que foi morta dentro da Escola Estadual Sapopemba Reprodução/TV Globo Um português de 18 anos investigado por instigar ataques em escolas no Brasil, entre eles o atentado à Escola Estadual Sapopemba, na Zona Leste de São Paulo, que matou a estudante Giovanna Bezerra Silva, de 17 anos, foi condenado a seis anos de prisão pela Justiça de Portugal nesta quarta-feira (1o). 🔍 Giovanna Bezerra estava no terceiro ano do ensino mé

Ato em homenagem à estudante Giovanna Bezerra Silva, que foi morta dentro da Escola Estadual Sapopemba — Foto: Reprodução/TV Globo

Um português de 18 anos investigado por instigar ataques em escolas no Brasil, entre eles o atentado à Escola Estadual Sapopemba, na Zona Leste de São Paulo, que matou a estudante Giovanna Bezerra Silva, de 17 anos, foi condenado a seis anos de prisão pela Justiça de Portugal nesta quarta-feira (1º).

🔍 Giovanna Bezerra estava no terceiro ano do ensino médio e morava no Jardim Sapopemba, perto da escola. A vítima foi baleada na cabeça por outro aluno no dia 23 de outubro de 2023. Além dela, outras duas estudantes, de 15 anos, foram atingidas pelos disparos (veja mais abaixo).

Apesar da sentença, o Tribunal de Santa Maria da Feira absolveu o réu da maioria das 230 acusações feitas pelo Ministério Público, entre elas as relacionadas diretamente ao ataque em Sapopemba.

Conforme a Agência France Press (AFP), o português, que na época das denúncias era adolescente, foi condenado por cumplicidade moral em uma tentativa de assassinato cometida por um estudante brasileiro contra colegas que faziam bullying contra ele, posse de pornografia infantil e por incitar outros adolescentes a cometerem atos de violência contra animais.

"Toda a narrativa em torno desta situação, segundo a qual o acusado era um monstro capaz das piores ações e o principal responsável por esses atos, foi claramente exagerada, e não ficou comprovado que ele cometeu a grande maioria dos crimes de que foi acusado", disse o juiz Pedro Botelho Vieira, citado pela imprensa local.

O julgamento ocorreu a portas fechadas no tribunal de Santa Maria da Feira, no distrito de Aveiro, onde o jovem morava até ser preso preventivamente, em maio de 2024.

Segundo o site português Observador, o juiz fez duras críticas à acusação, assinalando que bastava que o MP tivesse lido o processo do Brasil, que foi remetido para Portugal, para concluir de forma evidente que a intervenção do jovem "foi praticamente nula".

“Resulta do processo do Brasil que há mais de 30 dias o menor [brasileiro] estava a planear este ataque. Não há qualquer troca de mensagens entre o arguido e o menor”, disse o juiz.

O MP o acusou de ser o responsável por um grupo, principalmente na plataforma de jogos Discord, no qual incitava adolescentes à prática, com transmissão ao vivo, de atos violentos contra si mesmas, outras pessoas e animais de estimação.

Ainda conforme o MP, entre os atos estava a instigação de quatro massacres em escolas no Brasil. Três deles foram travados pelas autoridades antes de acontecerem e os seus eventuais autores teriam 12, 13 e 14 anos.

Giovanna Bezerra Silva, de 17 anos, morta em escola de SP — Foto: Reprodução/Facebook

A estudante Giovanna Bezerra Silva morreu e outros três alunos ficaram feridos após um ataque a tiros dentro da Escola Estadual Sapopemba, na Zona Leste de São Paulo, na manhã do dia 23 de outubro de 2023.

Segundo a Secretaria da Segurança Pública, um adolescente de 15 anos, também aluno, entrou armado no colégio e efetuou os disparos. Ele foi apreendido junto com a arma e encaminhado à ara da Infância e Juventude.

Ao ser baleada na cabeça, a vítima chegou a ser levada ao pronto-socorro do Hospital Sapopemba, mas não resistiu aos ferimentos.