OUTRO LADO: SAF-Juventus, que administra clube, não respondeu à reportagem
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13.jul.2026 às 4h00 Atualizado: 13.jul.2026 às 19h00
O estádio Conde Rodolfo Crespi, do Clube Atlético Juventus, está passando por uma transformação com a chegada do time da Mooca à primeira divisão do Campeonato Paulista depois de 19 anos.
Contratada pela SAF (Sociedade Anônima do Futebol), que controla o clube desde outubro de 2025, a obra de ampliação do estádio da rua Javari foi iniciada sem autorização da Prefeitura de São Paulo. O imóvel é tombado desde 2016.
Segundo a gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB), o projeto de reforma e restauração apresentado pela SAF-Juventus continua em análise por técnicos do DPH (Departamento de Patrimônio Histórico).
Após a publicação da reportagem, a SAF-Juventus enviou uma nota à Folha. "A SAF do Juventus esclarece que as obras executadas até o momento foram realizadas dentro das autorizações cabíveis para essa etapa e não envolvem intervenções em elementos protegidos pelo tombamento", disse a entidade.
A autorização, porém, foi dada em 8 de junho em uma reunião do Conpresp (Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental), mais de duas semanas depois do início das obras.
A reforma prevê aumentar a capacidade para 10.000 pessoas, uma exigência da FPF (Federação Paulista de Futebol) para os estádios da série A1 do Paulistão. Hoje, a rua Javari comporta 3.800 torcedores.
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Operários e tratores começaram a fazer escavações e demolições de parte do setor conhecido como "geral" em maio. As obras começaram uma semana depois de o Juventus ser o campeão da série A2 —em uma partida vencida por 2 a 1 contra a Ferroviária, em Araraquara (SP)— e conseguir acesso à elite do futebol paulista.
Inaugurado em 1929, o pequeno estádio da rua Javari foi construído por imigrantes italianos moradores da Mooca, na zona leste de São Paulo. Reformado em 1941, ele depois passou por um longo processo de tombamento pelo Conpresp.
Em agosto de 2004, uma lei municipal incluiu o estádio na lista de imóveis classificados como Zepec (Zona Especial de Preservação Cultural). Mas foi só em 2016 que o Conpresp aprovou o tombamento definitivo.
Em 2020, a prefeitura publicou uma resolução com as orientações sobre o que deveria ser preservado integralmente, como os guichês da bilheteria, portões de madeira, cobertura das arquibancadas, pinturas na cor grená e a geral (espaço em frente às arquibancadas principais).
O projeto apresentado à prefeitura pelo estúdio Sarasá, especializado em intervenções em bens tombados, prevê a construção de duas novas arquibancadas independentes dos setores antigos, além de uma área para camarotes. Quatro torres de iluminação de LED serão instaladas nas laterais.
O novo estádio terá uma nova loja do clube, além de um bar. Também serão construídos novos banheiros e outro espaço para a venda do cannoli, tradicional doce italiano muito procurado pelos torcedores durante os jogos.


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