Nova presidente do Peru promete endurecer combate ao crime e elevar salário mínimo. Leia mais na Gazeta do Povo

Direita no poderKeiko Fujimori assume presidência do Peru prometendo endurecer o combate ao crimePor Isabella Mayer de Moura

Dê de presentePrefira a Gazeta no GoogleKeiko Fujimori toma posse como presidente do Peru, em cerimônia realizada em Lima. (Foto: Guadalupe Pardo/EFE/POOL)Ouça este conteúdo

Keiko Fujimori tomou posse nesta terça-feira (28) como presidente do Peru para um mandato até 2031, marcando o retorno do fujimorismo ao poder no país após quase 26 anos. Ela assumiu o cargo prometendo preservar "a soberania nacional, a liberdade e a democracia".

De acordo com a agência de notícias EFE, em seu discurso de posse ela prometeu trabalhar "por um país seguro, próspero e unido" e afirmou que, "respeitando a liberdade de culto", reconhecerá "a importância da Igreja Católica na formação cultural e moral do Peru".

Órgão eleitoral confirma oficialmente vitória da direita nas eleições do PeruAvanço da direita faz Foro de São Paulo entrar em colapso e recorrer à violênciaForças Armadas na segurançaFalando ao Congresso após a posse, Keiko anunciou que, durante os estados de emergência decretados no país, as Forças Armadas peruanas ficarão responsáveis pela liderança temporária das operações de segurança, em coordenação com a Polícia Nacional, à qual prometeu devolver "o respeito, o equipamento e o respaldo político que merece".

Segundo a EFE, a presidente também anunciou um processo de modernização tecnológica da segurança pública, com sistemas nacionais de videomonitoramento interligados, plataformas de inteligência artificial para antecipar e mapear o crime, ferramentas modernas de comunicação e centros de comando para permitir respostas mais rápidas e coordenadas à criminalidade.

Para implementar essas medidas, Keiko anunciou que editará decretos de urgência e solicitará ao Congresso poderes legislativos delegados para aprovar reformas operacionais, processuais e penitenciárias, informou a EFE.

Além da agenda de segurança, Keiko anunciou um aumento de cerca de 15% no salário mínimo peruano, que passará de 1.130 (cerca de R$ 1.708) para 1.300 soles (cerca de R$ 1.965). Segundo a EFE, o reajuste será acompanhado por um bônus compensatório, pago uma única vez às micro e pequenas empresas, para ajudá-las a formalizar trabalhadores e absorver o aumento do custo trabalhista.

Na área econômica, Keiko disse que uma reforma do Estado deverá ser acompanhada de medidas para garantir a sustentabilidade fiscal, que classificou como condição necessária para o crescimento econômico, a geração de confiança e a manutenção das políticas sociais.

A presidente também anunciou que destinará "recursos extraordinários" para preparar o país para a chegada do fenômeno climático El Niño.

Segundo a EFE, o governo colocará em prática um plano nacional de contingência voltado à prevenção, com obras como limpeza de leitos de rios e reforço das proteções nas margens, além de assistência técnica e financeira aos agricultores afetados.

Pouco antes do início do discurso presidencial, parlamentares de partidos de esquerda deixaram o plenário do Congresso. Segundo a EFE, os congressistas, vestidos de preto, gritaram "Justiça para as vítimas" em referência às vítimas da repressão aos protestos antigovernamentais dos últimos anos e também às ocorridas durante o governo de Alberto Fujimori, pai de Keiko que foi destituído da presidência após escândalos de corrupção e de violação de direitos humanos.

Keiko permaneceu em silêncio até que os parlamentares deixassem o plenário antes de iniciar seu pronunciamento.

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