Para receber Stray Kids, Hwasa e NEXZ, equipe prepara 80 quilos de kimchi, 100 litros de sopa e ingredientes coreanos difíceis de encontrar no Brasil
Priorize VEJA no Google Enquanto Stray Kids, Hwasa e NEXZ se preparam para subir ao Palco Mundo, hoje, 80 quilos de kimchi já passaram semanas fermentando. Nos bastidores do Rock in Rio, o dia dedicado ao K-pop começou bem antes do primeiro show: com 750 quilos de proteínas, 100 litros de sopa e uma busca por ingredientes coreanos que não são encontrados em grande quantidade no Brasil.
A operação é coordenada pelo chef Eduardo Zampier, da Joá Gastronomia, empresa responsável pelo catering artístico do festival. Para montar o bufê coreano, ele chamou os cozinheiros Martim Kim e Priscila Lima Kim, do Kim Pocha, restaurante do Centro do Rio. O casal assumiu as receitas e a escolha dos produtos; a equipe da Joá entrou com a estrutura, as compras e os ajudantes:
“Estamos atendendo pelo menos 280 coreanos. Para aqueles que desejarem experimentar a culinária ocidental, preparamos ainda um bufê com mais de 15 tipos de saladas e molhos, além de sopa vegana e massas servidas com os molhos à parte. Entre as sobremesas, há brownie vegano, mousse de coco com chia e outras opções.”
O trabalho começou na cozinha da empresa, onde Kim e Priscila orientaram os funcionários durante duas semanas. Na Cidade do Rock, os fogões servem principalmente para finalizar e aquecer o que já chega adiantado. A fermentação do kimchi começou cerca de um mês antes do evento. Outros preparos entraram em produção na semana anterior ao show.
O cardápio não nasceu de uma lista de exigências dos artistas. Foi proposto pelos cozinheiros e aprovado pela produção. A ideia de Zampier era servir comida reconhecível para quem atravessou o mundo em turnê:
“Quis fazer um cardápio afetivo. Algo que lembre a casa, a mãe, a avó, alguma coisa da família. Essa receita é praticamente infalível”, diz o chef, que é famoso por trabalhar para os grandes shows internacionais que acontecem no Brasil.
A escala, porém, está longe da rotina de uma cozinha de família. Foram comprados 250 quilos de barriga de porco, 250 quilos de carne bovina para o churrasco coreano e outros 250 quilos de frango, preparado na versão frita popular no país. As quantidades se referem aos ingredientes ainda crus. Só a barriga de porco deve perder cerca de 50 quilos durante o preparo: “Cozinha é matemática pura”, resume Zampier.
A conta inclui ainda 80 quilos de acelga, 100 litros de sopa coreana e cerca de 40 quilos de macarrão de batata-doce, que ganha peso depois de cozido. Para chegar ao sabor esperado, a equipe comprou pastas fermentadas e temperos coreanos. Alguns produtos tiveram de ser trazidos de fora do Rio (e até do Brasil) porque os fornecedores locais não dispunham do volume necessário. Uma tradutora acompanhará o serviço para explicar os pratos e facilitar a conversa com artistas e equipe.
O cuidado tem um antecedente curioso. Quando a Joá trabalhou no primeiro show do Stray Kids no Brasil, em 2025, o grupo e sua equipe pediram tanto lámen instantâneo e arroz pronto que as caixas, empilhadas, formavam uma parede. O estádio ganhou estações com micro-ondas, chaleira elétrica e água quente em diferentes pontos. Era uma maneira de deixar a refeição conhecida sempre ao alcance de quem passava horas entre ensaios, montagem e apresentação.
Desta vez, a surpresa brasileira deve aparecer na mesa de frutas. Banana, melancia, abacaxi, melão, uva, pera e tangerina dividem espaço com maracujá e fruta-do-conde: esta última apontada pela equipe como a candidata a provocar mais curiosidade. Nada será importado:
“A intenção é mostrar a variedade e a doçura das frutas encontradas no país. Se conseguir chegar a tempo, teremos também frutas como jabuticaba, cacau, jaca e carambola”.
No Rock in Rio, o bufê coreano será servido no espaço destinado às bandas do dia. O catering de camarins é outra operação e não está sob responsabilidade dos entrevistados. Isso significa que o menu conta o que estará disponível nas refeições coletivas, não pedidos particulares de Stray Kids, Hwasa ou NEXZ. Antes de saber qual prato cada artista escolherá, a cozinha já cumpriu a parte mais demorada do espetáculo: fazer o tempo trabalhar a favor do kimchi.




0 Comentário(s)
Deixe seu comentário