À frente da divisão de Produtos Profissionais da L'Oréal no Brasil, ela fala sobre por que espera que a próxima mulher ocupe sua cadeira com menos obstáculos

O anúncio foi feito durante a Garden Party promovida em São Paulo, que também marcou o lançamento do Gloss Absolu Crème, novidade da linha voltada ao mercado premium de cuidados capilares.

O momento acompanha uma fase de crescimento da categoria no país e mudanças dentro do Grupo L’Oréal. Em abril, Laura Parkinson assumiu a liderança da Divisão de Produtos Profissionais no Brasil, responsável por marcas como Kérastase, L’Oréal Professionnel, Redken e Matrix.

Em entrevista a CLAUDIA, a executiva fala sobre liderança feminina, síndrome da impostora, autoestima e os desafios de ocupar espaços historicamente masculinos.

CLAUDIA: O Power Talks fala de desafios que são mais coletivos do que individuais quando o assunto é gênero. Agora, na liderança da Divisão de Produtos Profissionais no Brasil, quais são os seus maiores desafios? Você sente que é possível usar esse espaço para mudar conversas e abrir caminhos?

Laura Parkinson: Tenho 23 anos de carreira e, destes, 18 na L’Oréal. Sempre tive muita vontade de trabalhar. Só fui elaborar isso há pouco tempo, mas, desde criança, queria ser executiva. O curioso é que eu não tinha nenhuma referência do que era uma mulher executiva. Na minha família não havia nenhuma.

Minha mãe foi jornalista, mas faleceu quando eu era muito nova. Então, nessa construção do que significava ser uma mulher líder, houve um processo de muita solidão. Eu não tinha para quem olhar.

Acho que a nossa geração começou a conquistar mais espaço, mas passou por um processo muito forte de masculinização. Parecia que, para caber naquele ambiente, eu precisava ser dura, me vestir como um homem, me portar como um homem.

Durante muito tempo ouvi que eu era dura demais, que precisava cuidar mais das pessoas. Só nos últimos cinco anos comecei a encontrar meu próprio estilo de liderança. Passei a me reconhecer nele e também a ser reconhecida pelos outros.

Eu costumo dizer que nenhuma cadeira de liderança é confortável. Nem deve ser. Cada novo desafio existe justamente para nos tirar da zona de conforto. Mas eu gostaria que a próxima mulher que ocupar a cadeira que hoje é minha se sentisse mais confortável do que eu me senti quando cheguei.

CLAUDIA: Até coisas que chamamos de assertividade ou ousadia feminina, no fundo, são só tentativas de ocupar um espaço que nunca foi naturalmente dado às mulheres.

Laura: Exatamente. Cada vez que você precisa falar mais alto para ser ouvida em uma reunião, cada vez que precisa ser mais incisiva para que a sua opinião seja considerada, existe um esforço extra.

Um homem dificilmente passou por isso. Então, quando ele vê uma mulher sendo mais incisiva, pensa: “Nossa, por que precisa de tanto?”. Mas precisa porque, se você não levantar a voz, ninguém escuta.

Por isso acredito tanto na importância de mostrar vulnerabilidade, admitir inseguranças e desconstruir esse modelo. Quando fazemos isso, ajudamos outras mulheres a ocuparem esses espaços com mais gentileza consigo mesmas e com menos cobrança.

CLAUDIA: Você está há muitos anos na mesma empresa, isso é raro, principalmente para mulheres, que muitas vezes precisaram trocar de empresa para continuar crescendo. Você sente que a empresa vai mudando tanto ao longo do tempo que parece quase uma empresa nova?

Laura: Tenho exatamente essa sensação de estar em uma empresa que se reinventa o tempo inteiro, e é isso que me alimenta.

Primeiro, porque eu amo o mercado de beleza. Existe uma visão, muitas vezes masculina, de que beleza seria algo superficial. Mas eu discordo completamente. Trabalhamos com autoestima, e autoestima transforma vidas.

Quando uma pessoa se sente mais bonita, ela fala mais alto em uma reunião, vai melhor em uma entrevista de emprego, consegue ser mais ela mesma.

Além disso, a L’Oréal é uma empresa que gosta de aprender. Existe uma cultura muito forte de que nenhuma posição hierárquica vale mais do que uma boa ideia. Eu gosto de pensar grande, desafiar o status quo e fazer diferente.

CLAUDIA: Como é pensada a estratégia de comunicação da Kérastase? Com qual público vocês querem conversar?

Laura: Kérastase, no mundo, é a marca de luxo para cabelo. Acho que isso, por si só, diz muito sobre o nosso posicionamento.