Senador diz que Lula e Flávio Bolsonaro deveriam atuar juntos contra tarifaço dos EUA e defende diálogo para negociar as tarifas

Senador diz que Lula e Flávio Bolsonaro deveriam atuar juntos contra tarifaço dos EUA e defende diálogo para negociar as tarifas

Sérgio Lima/Poder360 - 15.jul.2026

Juliana Alves Ana Mião

de Brasília 15.jul.2026 (quarta-feira) - 21h33 Siga o Poder360 no Google

O presidente da comissão de Relações Exteriores do Senado, senador Nelsinho Trad (PSD-MS), afirmou nesta 4ª feira (15.jul.2026) em entrevista ao Poder360 que a Lei da Reciprocidade Econômica não deve ser acionada de imediato como resposta ao tarifaço dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vê a retomada da lei como “provável”.

A Lei da Reciprocidade Econômica, PL 15.122 de 2025, autoriza o governo brasileiro a adotar medidas de resposta contra países ou blocos econômicos que imponham barreiras unilaterais capazes de prejudicar a competitividade do Brasil. A norma se aplica em casos de interferência na soberania nacional, descumprimento de acordos comerciais ou adoção de exigências ambientais mais rigorosas do que as regras brasileiras. Antes de qualquer retaliação, a lei determina que sejam priorizadas as negociações diplomáticas e consultas com o setor privado.

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou na 3ª feira (14.jul) que o governo poderá recorrer à Lei da Reciprocidade Econômica e até editar uma medida provisória para proteger empresas brasileiras caso os Estados Unidos confirmem a imposição de novas tarifas sobre produtos do Brasil. Segundo ele, é “provável” que o Executivo retome o mecanismo, caso as medidas sejam efetivamente implementadas.

Sobre a lei, o senador reconheceu que a legislação foi criada justamente para situações desse tipo, mas avaliou que sua aplicação imediata pode agravar as tensões entre os dois países.

Questionado sobre as críticas dirigidas tanto ao presidente Lula quanto ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pelas tentativas de evitar o tarifaço, Trad evitou atribuir responsabilidade a qualquer um dos lados. Disse que toda iniciativa voltada à redução das tensões é positiva, independentemente da origem política. 

O presidente da CRE afirmou que o protecionismo dos Estados Unidos já era esperado desde a campanha presidencial de Donald Trump (Partido Republicano) e defendeu que o Brasil tenha um planejamento para enfrentar esse novo cenário internacional.

Na avaliação do senador, a polarização política interna prejudica a defesa dos interesses brasileiros. Ele afirmou que Lula e Flávio Bolsonaro poderiam atuar conjuntamente na interlocução com os Estados Unidos.

Trad também afirmou que o Brasil deve ampliar sua busca por mercados caso as restrições comerciais norte-americanas avancem. Segundo ele, além da China, o país pode fortalecer relações com Índia, União Europeia, países do Brics, EFTA, bloco formado por Noruega, Suíça, Islândia e Liechtenstein e Cingapura.