Especialistas recomendam a compra do primeiro imóvel por meio de leilões de imóveis, mas é preciso tomar certos cuidados para evitar ciladas
Especialistas recomendam a compra do primeiro imóvel por meio de leilões de imóveis, mas é preciso tomar certos cuidados para evitar ciladas
Leilão de imóveis. - Imagem: Getty Images/Alexander Sikov
O primeiro lance de Thaisline Silva, hoje especialista em crédito imobiliário e porta-voz da Caixa Econômica Federal, em um leilão de imóveis foi um tiro no escuro. "Eu não entendia nada sobre esse mercado. Arrematei o imóvel com medo, mas foi a virada de chave da minha vida financeira", contou em entrevista ao Seu Dinheiro.
Foi nesse leilão que ela comprou, em 2019, uma casa em uma cidade vizinha por R$ 29,4 mil. "Não dá nem um carro popular hoje em dia", brincou. Mas o valor gasto com o imóvel não parou por aí. Thaisline precisou desembolsar mais R$ 15,6 mil com documentação e reformas.
Ainda assim, em poucos meses, a especialista quase dobrou o dinheiro investido. Ela conta que vendeu a casa em menos de um ano por R$ 130 mil. Após a dedução dos impostos, Thaisline estima que ficou com cerca de R$ 70 mil.
"Foi com a minha primeira arrematação que eu despertei para o mundo dos leilões como correspondente da Caixa. Desde então, eu nunca mais parei de investir nesse mercado", disse.
Para quem ainda não comprou o primeiro imóvel, a especialista em crédito imobiliário recomenda que o sonho da casa própria seja realizado por meio de leilão.
"Se a pessoa tiver oportunidade de comprar por meio do leilão é melhor do que fazer pelo Minha Casa Minha Vida. Apesar de o programa oferecer juros mais baixos, nos leilões é possível adquirir imóveis com até 60% de desconto, o que já os torna muito mais vantajosos", afirmou.
Não é apenas Thaisline que vê o pregão como uma forma lucrativa de comprar o primeiro imóvel. Douglas Cabral, advogado especializado em Direito Imobiliário e membro do Instituto Brasileiro de Direito Imobiliário (IBRADIM), concorda com a avaliação da correspondente da Caixa.
"É uma boa porta de entrada, porque é possível achar imóveis com preço muito abaixo do mercado, principalmente em leilões extrajudiciais. Vale muito a pena, mas o comprador tem que garimpar", afirmou Cabral em entrevista.
O alerta de Cabral tem motivo: não é raro que os participantes de leilões imobiliários caiam em armadilhas que podem transformar uma oportunidade em dor de cabeça.
Os leilões extrajudiciais são aqueles realizados fora do âmbito judicial, conhecidos como leilão de banco, já que costumam ocorrer quando o bem é dado como garantia de uma dívida, geralmente um financiamento imobiliário.
Quando esse devedor não cumpre com as obrigações financeiras, o banco consolida a propriedade no cartório e leva o ativo a leilão para quitar o débito.
Nesses casos, os imóveis e editais são publicados diretamente nas plataformas das instituições financeiras, como Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil e Santander, ou em sites de leiloeiros credenciados.
Além dos leilões extrajudiciais, há ainda os leilões judiciais que são realizados dentro de um processo de execução movido na Justiça, como é o caso de ações cíveis ou trabalhistas.
Eles ocorrem quando um credor processa o devedor para cobrar uma dívida, localiza um imóvel em nome de quem está devendo e pede a penhora do bem. Então, o juiz determina que o bem seja leiloado para o pagamento do débito.
Nesses casos, os editais judiciais costumam ser disponibilizados em portais de leiloeiros oficiais.
Quando o assunto é leilões de imóveis, a primeira preocupação costuma ser a aquisição de imóveis ocupados. "A grande maioria dos imóveis estarão ocupados. Isso costuma ser o principal motivo de afastamento dos compradores", comentou Thaisline.
Porém, segundo os especialistas, há outras etapas que antecedem a retirada do antigo proprietário que podem gerar dores de cabeça maiores.
Para eles, o primeiro passo para evitar ciladas é ler atentamente o edital do leilão. “Não existe problema escondido. Existe análise mal feita. Às vezes as pessoas olham só para o desconto, e já brilha o olhar. Mas tem toda uma análise que precisa ser feita”, disse Thaisline.
A correspondente da Caixa ressalta que, durante a avaliação, os potenciais compradores precisam se certificar de que a foto do imóvel corresponde ao endereço que consta na matrícula do imóvel. Ela relata que não é raro haver divergências entre as imagens e o ativo leiloado.




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