O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) acusou Flávio Bolsonaro (PL-RJ) de tentar empurrar o tarifaço dos Estados Unidos para depois da eleição presidencial. A crítica foi feita após a divulgação de um documento enviado pelo senador ao Escritório do Repre…

O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) acusou Flávio Bolsonaro (PL-RJ) de tentar empurrar o tarifaço dos Estados Unidos para depois da eleição presidencial. A crítica foi feita após a divulgação de um documento enviado pelo senador ao Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos, o USTR, no qual ele pede a suspensão por 180 dias da aplicação de novas tarifas contra produtos brasileiros.

“Flávio não é contra o tarifaço: só quer adiar a conta para depois da eleição”, escreveu Lindbergh. Segundo o petista, o senador “não defende o Brasil” no documento enviado aos Estados Unidos e atua por cálculo eleitoral, diante do diagnóstico de que a pressão tarifária do governo Donald Trump pode fortalecer Lula.

No documento, Flávio afirma que tarifas anteriores não mudaram a postura do governo brasileiro e acabaram sendo usadas politicamente por Lula como reação a ataques à soberania nacional. O senador defende uma suspensão inicial de 180 dias, com possibilidade de prorrogação por mais 90 dias caso haja avanço nas negociações.

Lindbergh também afirmou que, depois da eleição, Flávio “consente com tudo: tarifa contra produto brasileiro, ataque ao Mercosul e ofensiva contra o Pix”. A avaliação é política, mas tem como base trechos do documento em que o senador sugere alternativas ao tarifaço, critica limitações impostas pelo Mercosul a acordos bilaterais e propõe um compromisso legislativo para impedir que o Pix seja conectado a sistemas internacionais de liquidação fora do eixo ocidental.

FLÁVIO NÃO É CONTRA O TARIFAÇO: SÓ QUER ADIAR A CONTA PARA DEPOIS DA ELEIÇÃO

No documento enviado aos EUA, Flávio Bolsonaro não defende o Brasil. Ele pede apenas que o tarifaço seja adiado por cálculo eleitoral, porque sabe que a agressão contra a economia brasileira pode…

— Lindbergh Farias (@lindberghfarias) July 2, 2026

O petista disse ainda que a família Bolsonaro trata a soberania nacional como “moeda de troca no balcão de Trump”. “O recado é simples: Lula defende o Brasil agora. Flávio entrega depois”, escreveu.

A manifestação de Flávio foi enviada no contexto da investigação da Seção 301, aberta pelos Estados Unidos contra práticas brasileiras em áreas como comércio digital, serviços de pagamento eletrônico, tarifas, propriedade intelectual, etanol e desmatamento. O governo Trump propôs tarifa de 25% sobre parte das exportações brasileiras, com decisão prevista para este mês.

O governo Lula também enviou resposta formal ao USTR. No documento, assinado pelo chanceler Mauro Vieira, o Brasil afirma que os Estados Unidos não comprovaram que políticas brasileiras sejam discriminatórias ou imponham barreiras comerciais ilegais a empresas estadunidenses.