Linha 12-Safira foi concedida ao Grupo Comporte no ano passado. À época, PM agrediu trabalhadores em protesto, que já denunciavam falhas nas linhas cedidas ?...
A linha de trem que pegou fogo em São Paulo na manhã desta quinta-feira (23/7) foi concedida pelo governo Tarcísio de Freitas (Republicanos) à empresa privada Trivia Trens no ano passado, em um processo marcado por repressão policial a trabalhadores que protestaram contra a medida.
Conforme mostrou a Ponte à época, a Polícia Militar paulista (PMESP) chegou a agredir ferroviários e metroviários na véspera no leilão que concretizou a concessão. Naquela altura, eles já denunciavam a recorrência de falhas graves nas operações concessionadas — o incêndio recente ocorreu já no terceiro dia em que a linha está sob pleno controle da Trivia Trens.
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A composição que pegou fogo está na linha 12-Safira. O incêndio ocorreu às 5h38, na altura do Brás, na região central de São Paulo. Não há registro de feridos. Ainda assim, passageiros que estavam no veículo lidaram com momentos de pânico e tiveram de caminhar por trilhos para deixar o local. O trânsito na zona leste da capital ficou com diversos trechos de lentidão.
À TV Globo, o diretor de operações da Trivia Trens, Paulo Ferreira, afirmou que, provavelmente, um curto-circuito gerou o incêndio e desligou subestações de energia, o que paralisou a linha 12-Safira e também outras três operações da concessionária (11-Coral, 13-Jade e Expresso Aeroporto).
A Trivia Trens é uma concessionária que pertence ao Grupo Comporte, uma holding fundada pelo empresário Nenê Constantino e com participações em diferentes empresas do setor de transportes. O grupo obteve o direito de explorar comercialmente a linha 12-Safira, assim como as linhas 11-Coral, 13-Jade e a operação do Expresso Aeroporto, a partir de um leilão em 28 de março de 2025.
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O leilão ocorreu no prédio da B3, a bolsa de valores de São Paulo. O local foi palco também de outras concessões concretizadas por Tarcísio durante o mandato, que ficaram marcadas pela cena recorrente do governador quebrando martelos de leiloeiro ao dar os negócios como concluídos.
A Ponte acompanhou presencialmente esse leilão, mas do lado de fora da B3, onde a PMESP e a Guarda Civil Metropolitana (GCM), esta sob gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB), montaram um cerco para impedir que trabalhadores ferroviários em protesto contra a concessão se aproximassem do local.
No dia anterior ao leilão, em 27 de março do ano passado, os ferroviários já haviam feito um outro ato, mas dentro da sede da Secretaria de Transportes Metropolitanos, submetida à gestão Tarcísio.
O protesto foi violentamente reprimido pela PMESP. Na ocasião, os policiais militares agrediram os manifestantes com cassetetes, atiraram bombas de gás e dispararam balas de borracha. Várias pessoas ficaram ensanguentadas (veja o vídeo abaixo). Além disso, outras três foram levadas a uma delegacia.
Na ocasião, trabalhadores da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), empresa pública que também opera linhas de trem em São Paulo, tentavam obter uma reunião com o secretário Marco Antonio Assalve. Houve um impasse sobre quem seria recebido por ele: os manifestantes solicitavam que fossem dez pessoas, mas apenas três acabaram sendo selecionadas para irem ao gabinete de Assalve.
Quando os demais manifestantes começavam a sair do prédio, a PM montou um cerco e deu início às agressões, conforme pessoas presentes na ocasião relataram à Ponte à época.
Também naquela ocasião, dirigentes sindicais ouvidos pela Ponte relataram que a concessão das linhas não significaria uma economia aos cofres públicos, uma vez que o Estado vinha repassando mais dinheiro, por meio da câmara de compensação, para as concessionárias do que para a CPTM e o Metrô.
Os trabalhadores também alertaram à época que a concessão poderia causar uma piora dos serviços. Naquela altura, Tarcísio já havia concedido, em 2023, as linhas 8-Diamante e 9-Esmeralda, sob controle da ViaMobilidade, empresa pertencente ao antigo grupo CCR, hoje chamado de Motiva.
Até o começo de 2025, ambas já haviam somado 200 falhas, segundo um levantamento da TV Globo — era o dobro do que tiveram, juntas, quatro linhas operadas até então pela CPTM (7-Rubi, 10-Turquesa, 11-Coral e 12-Safira). Em um episódio de 2024, uma pane elétrica causou um incêndio em um trem da linha 9-Esmeralda e deixou passageiros em pânico, devido ao risco de choque. Os ferroviários atribuíam a piora do serviço às demissões e à desvalorização dos trabalhadores que atuam nessas linhas.
As linhas agora com a Trivia Trens ligam o centro da capital à zona leste e a cidades vizinhas, como Guarulhos e Suzano. Cerca de 4,6 milhões de pessoas vivem em áreas atendidas por elas. Antes de assumir plenamente a operação, a empresa contou com apoio da CPTM em um período de adaptação.




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