Entenda como funciona a Creutzfeldt-Jakob, doença do influenciador Lito Sousa O diagnóstico recente de doença de Creutzfeldt-Jakob (DCJ) do piloto e influenciador Lito Sousa chamou a atenção do país para uma condição neurológica rara, degenerativa e sem cura …

Por Gabriella Ramos, g1 Campinas e Região

31/08/2026 05h05 Atualizado 02/09/2026

O diagnóstico de doença de Creutzfeldt-Jakob do piloto Lito Sousa chamou atenção para pesquisas brasileiras sobre a proteína ligada à condição neurológica.

No laboratório Sirius, em Campinas, pesquisadores analisaram as transformações da proteína. O estudo focado em condensados de proteínas foi publicado em 2023.

Os experimentos mostraram que gotículas de proteína endurecem sob estresse oxidativo. Isso indica como o comportamento celular muda ao formar estruturas rígidas.

O Ministério da Saúde busca incluir o influenciador em um estudo experimental nos Estados Unidos. Uma das pesquisas encerrou inscrições nesta terça-feira (25).

O Brasil registrou 547 casos da doença entre 2005 e 2021. Novos testes com a proteína estão agendados no Sirius para o fim de setembro.

Entenda como funciona a Creutzfeldt-Jakob, doença do influenciador Lito Sousa

O diagnóstico recente de doença de Creutzfeldt-Jakob (DCJ) do piloto e influenciador Lito Sousa chamou a atenção do país para uma condição neurológica rara, degenerativa e sem cura conhecida. Enquanto a família dele busca tratamentos experimentais no exterior, cientistas brasileiros também tentam entender a origem desse tipo de doença.

Uma das frentes de pesquisa busca responder a uma pergunta fundamental: por que uma proteína normal do organismo muda de comportamento e causa danos irreversíveis ao cérebro?

Para investigar isso, cientistas usaram o Sirius, superlaboratório brasileiro instalado em Campinas (SP). A estrutura funciona como um “raio X superpotente”, capaz de analisar átomos e moléculas. O local usa uma tecnologia avançada que existe em apenas três equipamentos no mundo.

Foi ali que pesquisadores analisaram a proteína envolvida nas doenças priônicas, grupo do qual a doença de Lito faz parte.

🔎 Doenças priônicas são raras e fatais. Elas acontecem quando uma proteína normal do organismo, chamada PrPC, muda de forma e se transforma em um príon. Esses príons podem fazer outras proteínas também se alterarem e se acumularem principalmente no cérebro, causando danos ao sistema nervoso.

O trabalho foi publicado na revista científica Science Advances em 2023 e não tem relação direta com o caso de Lito Sousa. O objetivo foi entender as etapas iniciais das mudanças que a proteína sofre no cérebro.

O estudo foi realizado por uma equipe de pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), do Centro Alemão de Doenças Neurodegenerativas (DZNE) e do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM).

Assinam o trabalho Mariana Juliani do Amaral, Satabdee Mohapatra, Aline Ribeiro Passos, Taiana Sousa Lopes da Silva, Renato Sampaio Carvalho, Marcius da Silva Almeida, Anderson Sá Pinheiro, Susanne Wegmann e Yraima Cordeiro.

O que acontece com essa proteína?

A proteína príon existe naturalmente no organismo e está presente nos neurônios. Nas doenças priônicas, ela muda de forma. A partir daí, outras moléculas iguais também se alteram e começam a se acumular. Esses acúmulos causam a destruição dos neurônios.

Uma das dúvidas dos cientistas é justamente entender como começa a transformação dessa proteína e por que ela começa a mudar para essas estruturas patológicas.

O estudo se concentrou em pequenas estruturas chamadas condensados. Para visualizar, pense em gotículas muito concentradas de proteína. As moléculas ficam reunidas em um mesmo espaço, mas ainda conseguem se movimentar enquanto a gota continua líquida.