Foto: Duda Menezes Livros no Brasil são caros? Sim. É normal que se discuta o preço do livro e formas de torná-lo mais acessível à população brasileira. Mas e se pesar mais ainda no bolso do leitor? O debate voltou à tona após declarações recentes feitas por Alexandre Martins Fontes, dono da Livraria Martins Fontes, presidente da Associação Nacional de Livrarias (ANL) e sócio da editora WMF Martins Fontes. Para o livreiro, o desconto máximo ideal de um livro é até 10% do preço de capa.
Não é de hoje que o mercado literário discute a política de preços e descontos nos livros, especialmente com a chegada de grandes empresas como a Amazon e suas ofertas expressivas. A Lei Cortez, de 2015, é um projeto de Lei do Senado que propõe justamente isso, um limite máximo de 10% sobre o preço de capa durante o primeiro ano de lançamento, na defesa de um acesso mais diverso ao leitor com a proteção de pequenas e grandes livrarias, prejudicadas pelo varejo online. Em setembro, o editor de livros desistiu de esperar a aprovação da Lei Cortez e resolveu suspender a venda dos livros de sua editora na Amazon e participações em feiras universitárias como a Festa do Livro da USP, que, segundo Martins Fontes, presta um desserviço para a cultura brasileira contribuindo para o enfraquecimento do ecossistema dos livros. O debate é complexo e talvez sem respostas, no momento. Enquanto uma política de preços é considerada vital pela ANL, com risco crescente das livrarias fecharem as portas, o preço dos livros no país já pesa no bolso dos brasileiros, que se amparam nos descontos como momento para adquirir livros. Não apenas economizar, é o que muitas vezes possibilita a compra, que, de outro modo, não aconteceria. O presidente da ANL fez um apelo à grandes editoras como Companhia das Letras, HarperCollins, Sextante e Rocco; com a adesão das editoras o problema seria resolvido. Será mesmo? Ou outro grande problema seria criado? Qual fatia da população teria o acesso aos livros dificultado ou impossibilitado?




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