Looks coloridos e acessórios combinando: como a moda penitenciária traz autoestima a visitantes no interior de SP Reprodução/Redes socias A rotina de quem visita familiares em penitenciárias vai muito além das longas viagens e da espera. As regras rígidas de vestimenta acabaram criando um mercado especializado em roupas para visitantes e até uma comunidade nas redes sociais, onde mulheres compartilham experiências, dicas e formas de enfrentar um cotidiano marcado pelo preconcei
Looks coloridos e acessórios combinando: como a moda penitenciária traz autoestima a visitantes no interior de SP — Foto: Reprodução/Redes socias
A rotina de quem visita familiares em penitenciárias vai muito além das longas viagens e da espera. As regras rígidas de vestimenta acabaram criando um mercado especializado em roupas para visitantes e até uma comunidade nas redes sociais, onde mulheres compartilham experiências, dicas e formas de enfrentar um cotidiano marcado pelo preconceito.
A influenciadora Gaby Martins, de 21 anos, moradora do interior de São Paulo, visita o companheiro preso há dois anos. Ela já publicava vídeos sobre seu trabalho com extensão de cílios, e, de início, não planejava compartilhar a rotina no presídio. Hoje, um dos assuntos que mais chama a atenção no perfil da influenciadora é justamente a chamada moda penitenciária.
"Quando eu comecei a visitar, eu falei: 'Eu nunca vou postar isso, que vergonha'. E aí, querendo ou não, todo mundo já sabia, todo mundo já via. E foi onde eu comecei a postar para distrair um pouco".
Gaby passou a compartilhar a rotina de visitas, desde a preparação da comida e da mala, até a escolha dos looks usados no grande dia. O que começou como uma forma de distração se transformou em uma rede de apoio para mulheres que vivem a mesma realidade. Ela também mostra a filha de 1 ano e meio nas publicações e costuma combinar as roupas das duas para os dias de visita.
👚 Mas o que há de tão diferente na moda penitenciária? Criadas a partir das regras de entrada nos presídios, as roupas precisam seguir uma série de restrições de cores e modelos. Com poucas opções permitidas, visitantes passaram a transformar peças básicas em combinações estilosas e que favorecem a autoestima.
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O resgate da autoestima
Looks coloridos e acessórios combinando: como a moda penitenciária traz autoestima a visitantes no interior de SP — Foto: Reprodução/Redes socias
A cada 15 dias, Gaby viaja cerca de cinco horas de Campinas (SP) até Balbinos (SP) para ver o companheiro na penitenciária. A preparação exige esforço e começa com dias de antecedência. "A minha visita é no domingo, por exemplo. Aí, na sexta-feira, eu já vou ao mercado, deixo tudo separado. No sábado eu já começo cedo a fazer comida, fazer doce, arrumar mala", detalha.
Rotina que ela decidiu postar. No início, recebeu críticas, principalmente por estar grávida, mas, depois, as publicações a ajudaram a se conectar com mulheres que viviam as mesmas experiências. "Comecei a receber mensagem de outras meninas do tipo: 'Nossa, Gabi, eu também tô grávida, eu também tô visitando, e eu vejo seus vídeos, querendo ou não, já alegra meu dia", relembra.
Foi nesse contexto que a moda passou a ganhar espaço no conteúdo compartilhado por ela. Devido à rotina exaustiva de trabalho e viagens, a influenciadora conta que raramente comprava roupas novas. A perspectiva mudou quando uma loja especializada, focada em moda penitenciária, entrou em contato e enviou algumas peças de presente.
Looks coloridos e acessórios combinando: como a moda penitenciária traz autoestima a visitantes no interior de SP — Foto: Reprodução/Redes socias
"Você põe a peça e fala: 'Nossa, que roupa linda!'. No começo, a gente fica com vergonha de usar uma legging e um camisetão. Mas aí, com o tempo, você vai olhando as cores... Por conta da regra da [Secretaria da Administração Penitenciária - SAP], tem que ser legging colorida e camisetão", explica.
Usar peças combinando tornou-se um incentivo. "Nessa visita eu tenho um look novo, um chinelo novo para combinar'. Aí eu pinto a unha da cor da roupa [...] A gente está indo ver nosso familiar, já está feliz." Ela compara a empolgação com a de quem compra roupas para malhar. "Todo mundo fala que um pré-treino de academia é um lookinho novo. E para a visita é um lookinho novo também", brinca.
A escolha das roupas também virou um momento compartilhado com a filha. Quando leva a menina de 1 ano e meio às visitas, Gaby aproveita para vestir a criança com peças iguais às suas. "Eu falo para a loja que ela vai, aí mandam uma roupa combinando para a gente. Manda um moletom, a bolsa. Tem cadeia que a bolsa pode ir combinando com a cor da roupa também", diz.
Nos posts nas redes sociais, Gaby sempre aparece com o conjunto comum às visitantes:
calça legging e camisetão com cores combinando, como um conjunto;chinelos no mesmo tom;cabelo escovado, maquiagem e unhas bem feitas;mala transparente com as refeições e guloseimas que ficarão com o companheiro.
Looks coloridos e acessórios combinando: como a moda penitenciária traz autoestima a visitantes no interior de SP — Foto: Reprodução/Redes socias
Com familiares e amigos que já estiveram privados de liberdade, a moradora de Indaiatuba (SP), Sandy Lima, decidiu abrir a sua própria loja virtual de moda penitenciária aos 25 anos, após diversos pedidos. Ela vem de uma família com mais de 30 anos de experiência no comércio.




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