Governo levou três anos para notar que o benefício encolheu. Percebeu com as pesquisas empatadas
Com toda essa crise no STF, ministro chamando ministro de pixuleco em rede social, a gente quase esqueceu que tem eleição daqui a 17 dias. Dezessete!
O governo não esqueceu.
Aliás, é impressionante como o calendário eleitoral melhora a memória dos políticos.
Hoje lembraram que precisava dar aquela reajustada no Bolsa Família.
O piso vai de R$ 600 para R$ 691.
A justificativa é a inflação acumulada desde 2023. Desde 2023!
A inflação levou mais de três anos para chegar ao Palácio do Planalto.
Deve ter vindo de carro alegórico.
Daqueles do desfile do Lula, que empacaram na saída da Sapucaí no começo do ano. Mas chegou.
Coincidentemente, com a eleição apertada. Lula e Flávio Bolsonaro separados por poucos pontos no primeiro turno, e pesquisa mostrando empate técnico no segundo.
Pode fazer esse reajuste justo agora? O governo jura que pode.
E, por uma dessas coincidências que só a democracia consegue produzir, tudo que é bom pro governo também é muito bom pro candidato do governo. Principalmente quando os dois são a mesma pessoa.
Em fevereiro teve escola de samba cantando a vida do Lula na Sapucaí, com ele no camarote. Esses dias a Janja postou ele comendo pão com mortadela, pra lembrar que é do povo.
Deve ter achado pouco. Hoje veio o dinheiro da mortadela.
Ver esse post no InstagramUm post compartilhado por PT São Paulo (@ptsaopaulo)
Agora, pra quem recebe, é ótimo. Só que se esses R$ 91 servem pra devolver o poder de compra, então as famílias passaram três anos recebendo menos do que deviam. Portanto, o problema nunca foi o reajuste, foi a espera, certo?
Por que setembro de 2026? Janeiro, fevereiro, março, abril, maio, junho, julho, agosto... Tinha oito meses ali.
2025 também tava disponível. Talvez setembro seja um mês bissexto: só acontece de quatro em quatro anos.
E olha que umas duas semanas atrás esse mesmo governo mandou pro Congresso o orçamento do ano que vem. Reajuste do Bolsa Família ali dentro? Nenhum.
Hoje, decreto. Assinado pelo Lula, que discursa até em inauguração de bebedouro e dessa vez não abriu a boca na cerimônia. Tem silêncio que parece conselho de advogado.



0 Comentário(s)
Deixe seu comentário