Declarações foram dadas um dia após a sessão do STF que analisava se deve ou não ser aberta uma investigação contra o ministro Alexandre de Moraes.

Lula defendeu a investigação das denúncias, disse que ninguém está acima da lei e avaliou que o debate ocorrido na Corte nesta terça-feira (15) "não é correto".

O primeiro turno das eleições está marcado para 4 de outubro, enquanto o segundo turno para 25 de outubro.

As declarações foram dadas um dia após a sessão do STF que analisava se deve ou não ser aberta uma investigação contra o ministro Alexandre de Moraes.

O julgamento foi interrompido por um pedido de vista do ministro Flávio Dino antes de a Corte entrar no mérito do caso.

Segundo Lula, é necessário esclarecer as denúncias que vieram à tona nos últimos dias para preservar a credibilidade do Supremo.

"A Suprema Corte não pode ter a sua vida manchada. Ela é a instância máxima de poder nesse país. Quando ela toma uma decisão, ninguém pode mudar a decisão da Suprema Corte", afirmou.

O presidente voltou a defender que todos os envolvidos tenham direito à ampla defesa e à presunção de inocência, mas disse que eventuais irregularidades precisam ser investigadas.

"É importante que se apure, que dê direito de defesa às pessoas. A presunção de inocência tem que ser garantida a todo mundo, mas é preciso apurar."

Lula afirmou ainda que "ninguém está acima da lei", incluindo integrantes do próprio Judiciário. "Ninguém está acima da lei, nem eu, nem o Fachin, nem ministro da Suprema Corte."

As falas foram dadas em entrevista ao podcast "Desce a Letra Show".

Ao comentar a sucessão de acusações envolvendo integrantes do Judiciário, o presidente disse que a população acompanha as denúncias sem respostas definitivas.

"O que não dá é para a sociedade ficar assistindo esse denuncismo. Fulano pegou não sei quantos milhões, fulano recebeu não sei quantos milhões, e a sociedade está ouvindo tudo isso todo santo dia."

Na avaliação do presidente, o STF precisa conduzir o processo para impedir que a crise tenha impactos sobre a disputa eleitoral.

"O [Edson] Fachin tem a responsabilidade de não permitir que isso atrapalhe o processo eleitoral."

A declaração ocorreu quase uma semana depois de Lula ter elogiado medidas adotadas por Edson Fachin para tentar conter a crise no Supremo.

Em 10 de setembro, durante uma entrevista, o presidente afirmou estar "satisfeito" com as decisões tomadas pelo chefe da Corte e disse esperar que ele fizesse "mais coisa" para "colocar ordem na casa" e recuperar a credibilidade do tribunal.

Na ocasião, Lula também defendeu a apuração das denúncias envolvendo ministros do STF e afirmou que eventuais responsáveis deveriam ser punidos, independentemente de seus cargos.

Lula também afirmou que a crise reforçou sua "convicção" de que o país precisa discutir mudanças no sistema de Justiça.

"Vamos fazer uma reforma no Poder Judiciário. A partir de agora, eu acho que não tem como não discutir mais isso."

Segundo o presidente, existem reclamações recorrentes sobre o funcionamento do Judiciário e a imagem da instituição atravessa um momento de desgaste.