O presidente Lula (PT) e seus aliados estão mesclando dois assuntos com apelo junto à população brasileira, o Pix e a Copa do Mundo, como forma de tentar desgastar o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), principal adversário do petista na eleição deste ano. Leia mais (06/28/2026 - 22h48)

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28.jun.2026 às 22h48

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Caio Spechoto Catia Seabra

O presidente Lula (PT) e seus aliados estão mesclando dois assuntos com apelo junto à população brasileira, o Pix e a Copa do Mundo, como forma de tentar desgastar o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), principal adversário do petista na eleição deste ano.

O grupo político de Lula também busca disputar o verde e amarelo com as forças políticas de direita. O presidente da República demonstra há anos incômodo com o fato de as cores nacionais e a camisa da seleção brasileira de futebol terem ficado associadas ao bolsonarismo.

O petista fez um novo gesto nesse sentido na quarta-feira (24), quando a seleção brasileira venceu a Escócia por 3 a 0 na Copa do Mundo.

Lula recebeu políticos como Geraldo Alckmin (PSB), Fernando Haddad (PT), Marina Silva (Rede), Simone Tebet (PSB) e Márcio França (PSB) no Palácio da Alvorada para decidir a configuração de sua aliança em São Paulo. Depois, assistiu com eles à partida e publicou fotos de todos uniformizados.

Flávio Bolsonaro busca manter os símbolos do futebol nacional associados a seu grupo político. Divulgou recentemente um vídeo gerado por inteligência artificial no qual resgata Neymar. O jogador foi convocado sob críticas, e em 2022 declarou apoio a Jair Bolsonaro (PL), pai do senador. O vídeo foi uma resposta a Lula, que dias antes havia ironizado a participação do atacante na Copa do Mundo.

Os movimentos petistas são parte da estratégia de promover um discurso de soberania nacional para impulsionar Lula na campanha de reeleição. O plano ganhou força após o governo dos Estados Unidos, liderado por Donald Trump, ameaçar o Brasil com um novo tarifaço. O grupo bolsonarista, adversário de Lula, é alinhado a Trump.

A ameaça americana inclui o Pix. Empresas de cartão de crédito dos Estados Unidos afirmam que o Banco Central brasileiro concede tratamento preferencial ao sistema de pagamento instantâneo.

A investida lulista para disputar as cores nacionais e a camisa da seleção e desgastar Flávio com o gancho da Copa do Mundo foi iniciada há duas semanas.

No dia 9, o PT realizou um ato público com siglas aliadas no qual diversos de seus líderes apareceram com uma camisa com as cores da seleção brasileira. Na frente, havia os dizeres "o Pix é do Brasil" e "joga pelo Brasil". Nas costas, "Lula joga pelo Brasil".

A mensagem direta é associar Lula à defesa nacional. Indiretamente, trata-se de um contraponto a Flávio Bolsonaro, uma forma de dizer que o senador joga contra o país.

O grupo político de Lula acusa o senador de ter estimulado o governo americano a tomar medidas contra o Brasil. A ideia é apresentá-lo como traidor da pátria.

Flávio esteve nos Estados Unidos, onde se reuniu com Trump e outras autoridades americanas, no fim de maio. Nos dias seguintes, o governo Trump declarou as facções CV (Comando Vermelho) e PCC (Primeiro Comando da Capital) como terroristas e lançou a nova ameaça de tarifaço. Flávio diz ter pedido para os EUA não imporem tarifas às empresas brasileiras.

Lulistas afirmam que a medida em relação às facções abre brecha para intervenções americanas em território nacional e traz riscos econômicos.

No último dia 10, Lula se associou ao Pix em um evento oficial do governo. O ministro Márcio Elias Rosa (Indústria e Comércio) anunciou o registro do sistema de pagamentos como marca de alto renome, o que restringe seu uso por terceiros, inclusive em contextos não relacionados a serviços financeiros. O ato foi em reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social Sustentável, o "Conselhão".