Em meio à expectativa de que pudesse haver um encontro nos bastidores entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump, o Itamaraty informou que os dois não se encontraram nesta terça-feira (22), durante a abertura do Debate Geral da Assembleia G…
Em meio à expectativa de que pudesse haver um encontro nos bastidores entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump, o Itamaraty informou que os dois não se encontraram nesta terça-feira (22), durante a abertura do Debate Geral da Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU).
Tradicionalmente, o presidente brasileiro abre o debate da Assembleia Geral e, na sequência, o presidente dos Estados Unidos discursa. Nesse intervalo, havia a possibilidade de um encontro rápido entre os dois, mas isso não ocorreu.
No ano passado, Lula e Trump tiveram um encontro informal de 39 segundos entre seus discursos. Na ocasião, o presidente americano afirmou que teve uma “excelente química” com o brasileiro, em meio ao clima tenso provocado pelo tarifaço imposto pelos Estados Unidos ao Brasil.
Agora, no entanto, o clima eleitoral não é favorável. O governo brasileiro tem apontado tentativas de interferência dos Estados Unidos na eleição em apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro, em um momento em que pesquisas indicam empate técnico entre Lula e Flávio.
Em seu discurso de abertura da ONU, Lula disse que “voltamos a presenciar a ingerência externa em processos eleitorais”, sem citar os EUA, e que não subestima “o desafio das redes de desinformação que pretendem desvirtuar o debate público durante a campanha”.
“Sob o olhar atento de uma cidadania plural e de uma imprensa livre, não permitiremos que os inimigos da democracia, internos e externos, atentem contra a vontade popular”, afirmou o presidente, em referência ao pleito no Brasil.
Recentemente, veio a público uma lista de 21 pontos apresentada pelos Estados Unidos em Washington, em outubro do ano passado, durante as negociações para aliviar o tarifaço.
Entre as exigências estava a cobrança para que “dissidentes políticos” não fossem impedidos “arbitrariamente” de participar do processo eleitoral. O governo Lula rejeitou, no entanto, as exigências dos Estados Unidos relacionadas à política interna brasileira incluídas nas negociações para aliviar as tarifas impostas ao país.
Para fontes do Palácio do Planalto, porém, a entrada de questões da política interna brasileira na relação entre os dois países não começou com a lista dos 21 pontos. Essa porta já havia sido aberta pelo próprio Trump meses antes, disse um interlocutor.
Em 9 de julho do ano passado, o presidente americano escreveu em uma rede social que o ex-presidente Jair Bolsonaro deveria ser “deixado em paz” e voltou a usar a expressão “caça às bruxas”.
Além disso, a apresentação da lista, na avaliação do Palácio do Planalto, evidencia a forma como o governo americano conduz as tratativas. Para essas fontes, não existe propriamente uma negociação com os Estados Unidos, mas uma expectativa de que o outro lado aceite os termos apresentados, em uma espécie de “contrato de adesão”.




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