Petista recebeu Lee Jaw-myung em Brasília

Priorizar nos meus resultados Google O presidente Lula recebeu nesta segunda-feira, 27, no Palácio do Alvorada, o líder sul-coreano Lee Jae-myung — e exaltou o soft power do país asiático citando a força dos k-dramas e da animação Guerreiras do K-pop, da Netflix.

Após o encontro com o presidente sul-coreano, o líder brasileiro destacou os benefícios da relação diplomática e comercial para a economia dos dois países, e discutiu possíveis acordos futuros. Ao falar sobre a comunidade coreana no Brasil, destacou a força da cultura sobre os jovens. “Música, gastronomia e doramas coreanos conquistaram os brasileiros, sem falar no enorme sucesso das ‘Guerreiras do K-pop’ entre nossas crianças”, destacou o presidente, atestando ainda que o número de estudantes do idioma cresce ano a ano no Brasil.

Na declaração, o presidente brasileiro informou ainda que o líder da Coreia do Sul e a primeira-dama Kim Hye-kyung vão visitar a cidade de São Paulo, onde tem compromisso com a comunidade sul-coreana local e até sessões especiais de filmes. “O cinema coreano teve papel importante ao conferir alcance universal às narrativas locais. Janja e a primeira-dama Kim participarão em São Paulo de sessão especial da Mostra de Cinema Coreano no Brasil”, detalha a declaração.

Fenômeno nas telas

Lançado há pouco mais de um ano, na Netflix, Guerreiras do K-pop alcançou números raros até mesmo para os padrões da plataforma. Em poucas semanas, entrou no Top 10 em todos os 93 mercados monitorados pela Netflix, liderando o ranking de audiência em 76 países. O desempenho se manteve ao longo dos meses: foram 52 semanas consecutivas entre os conteúdos mais assistidos globalmente e mais de 600 milhões de visualizações, marca que a colocou como a produção original mais popular já lançada pela empresa.

O sucesso também se refletiu na música. A faixa “Golden” permaneceu por 18 semanas no topo da Billboard Global 200 e conquistou espaço na principal parada americana, tornando-se a primeira canção de K-pop a vencer simultaneamente o Oscar de Melhor Canção Original e o Grammy de Melhor Canção Composta para Mídia Visual. A produção ainda garantiu um feito histórico para Maggie Kang, que se tornou a primeira mulher de ascendência coreana a receber o Oscar de Melhor Animação. No Brasil, o interesse foi ampliado por adaptações culturais bem recebidas pelo público, como a versão local de Soda Pop, popularizada nas redes brasileiras pela expressão “Meu Pequeno Guaraná”.

Mas o dado mais simbólico do alcance da franquia está fora das telas. Segundo números divulgados pela Netflix, o título desencadeou uma onda de buscas por passagens aéreas para o país asiático, além de inspirar o lançamento de centenas de produtos licenciados.

O que torna a Coreia do Sul um caso sem precedentes é que, com apenas 52 milhões de habitantes e cercada pelos pesos-pesados Japão, China e Rússia (além da irmã da qual foi tragicamente separada, a Coreia do Norte, que não para de testar armas nucleares à sua porta), ela detém um soft power — o poder de influência cultural e de ditar comportamentos — só comparável ao anglo-americano. O mundo hoje joga em massa os games coreanos, ouve fanaticamente as bandas de K-pop, assiste às suas novelinhas açucaradas e séries inovadoras e se fascina com a voluptuosidade e a complexidade do seu cinema — e, com frequência, faz tudo isso usando tecnologia de marcas sul-coreanas.

A tigela em que se bateu essa massa, entretanto, foi construída a partir dos anos 90, quando a Coreia do Sul identificou a cultura e o entretenimento como um setor estratégico. O marco oficial foi a colonização do circuito exibidor por Jurassic Park, em 1993. Mas o quadro é mais complexo: o que isso fez subir à tona foi a necessidade de preservar a identidade cultural coreana e de resistir nessa área à influência americana, que é grande em assuntos militares e geopolíticos e da qual os coreanos em geral se ressentem.

O cinema e a TV passaram a ser alvo de investimento em múltiplos flancos, desde formação universitária e festivais até cotas de tela e estímulos financeiros (corporações como Samsung e Hyundai foram convocadas a fazer sua parte). Round 6 custou à Netflix 21,4 milhões de dólares, mas rendeu a ela um valor de impacto estimado em 890 milhões — além de 4,4 milhões de novos assinantes. Para a Coreia do Sul, o negócio também não foi nada mau. Pelo direito de instalar e operar seus estúdios no país, a Netflix tem, em troca, de financiar projetos locais e firmar colaborações com produtoras coreanas.