O presidente Luiz Inácio Lula da Silva falou sobre os desafios do combate ao crime organizado no Brasil, mas recusou 'terceirizar a responsabilidade de defender as fronteiras', em discurso na Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova Yo…

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva falou sobre os desafios do combate ao crime organizado no Brasil, mas recusou 'terceirizar a responsabilidade de defender as fronteiras', em discurso na Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York, nesta terça-feira (22). Em discurso que conversa muito com o público interno, ele reforçou as ações do governo na área de segurança e disse que aceita ajuda para "cooperação".

"O Brasil não subestima o desafio representado pelo crime organizado, mas não vamos terceirizar a responsabilidade de defender nossas fronteiras e de garantir à população o direito de viver sem medo", afirmou o presidente. "Não precisamos de porta-aviões vigiando nossas águas, precisamos de cooperação para estancar o fluxo de armas e de dinheiro que abastecem o crime."

Segundo Lula, esta é a proposta de cooperação que ele fez pessoalmente ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. "Queremos combater a lavagem de dinheiro realizada por criminosos brasileiros no exterior", disse. Um dos pedidos do Brasil é, inclusive, que os EUA deportem empresários procurados por danos ao fisco.

O discurso não foi aplaudido pela delegação americana. Neste ano, diferentemente do ano passado, Lula também não se encontrou com Trump na antessala da ONU, segundo o Itamaraty.

O presidente aproveitou o espaço para tentar destacar os avanços da sua gestão na segurança pública, exatamente um dos calcanhares de Aquiles do Lula 3, onde o governo tem uma de suas piores avaliações. "Batemos recorde de apreensão de drogas e de bens e recursos ilícitos. Estamos enfrentando todos os escalões da criminalidade, inclusive os magnatas do crime. A Lei Antifacção que acabamos de aprovar impõe ao crime organizado penas superiores às previstas para o terrorismo", destacou.

Também abordou o combate à corrupção, tema que se tornou central nas eleições. "Crime organizado e corrupção andam juntos. O combate à corrupção continuará implacável, doa a quem doer. Ninguém está acima da lei", disse. Essa última frase tem sido repetida com frequência por membros do governo tanto para falar sobre os escândalos que envolvem ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) quanto o filho do presidente, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha.