Presidente abriu a Assembleia Geral da ONU nesta terça-feira (22) e discursou sobre conflitos, violência, clima, tecnologia, democracia e soberania
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva começou a discursar às 11h desta terça-feira (22), na abertura do debate geral da 81ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York. Na fala, o presidente criticou a atuação das ONU diante das guerras e a estrutura do Conselho de Segurança, além de defender a soberania brasileira, o multilateralismo e a democracia.
No seu décimo discurso na ONU, Lula iníciou cumprimentando o presidente da Assembleia Geral, o secretário-geral da organização e os demais líderes presentes. O presidente afirmou que, desde que começou a ocupar a tribuna das Nações Unidas, este é o momento mais crítico vivido pela organização.
Segundo Lula, a ONU está falhando em sua missão de livrar a humanidade do “flagelo da guerra”. Ele afirmou que a credibilidade da organização está baixa e que sua capacidade de proteger as pessoas é pequena.
O presidente também criticou o funcionamento do Conselho de Segurança, afirmando que o órgão não tem cumprido seu papel. Lula lembrou que o Brasil alerta há anos para o poder de veto dos cinco membros permanentes e defendeu mudanças na estrutura da organização, principalemente para incluir representações da África, Ásia e América Latina.
Ao falar sobre o cenário internacional, afirmou que 2025 registrou o maior número de conflitos armados desde a Segunda Guerra Mundial. Em seguida, resumiu sua avaliação sobre o momento vivido pela comunidade internacional:
“A guerra não é continuação da política, mas sim a falência desta.”Lula também mencionou a defesa da democracia durante a Ditadura Militar brasileira e a reação aos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023. Ao falar sobre políticas de combate à fome, combate ao trabalho análogo à escravidão durante o seu governo e defender a representação novo do mapa mundí foi muito aplaudido.
Na sequência, Lula tratou do enfraquecimento do multilateralismo e da disputa entre diferentes modelos de organização política internacional.
Com a ideia de “desafiar o passado para promover um futuro de paz”, o presidente passou a falar sobre os conflitos no Oriente Médio.
Ao abordar a guerra entre Israel e Hamas, Lula criticou a continuidade da violência e mencionou os assentamentos na Cisjordânia, que são considerados ilegais pela ONU. O trecho foi seguido por muitos aplausos.
O presidente defendeu que israelenses e palestinos possam viver em paz e afirmou que o Estreito de Ormuz deveria ser uma passagem segura para o transporte de combustíveis, energia e alimentos, e não uma trincheira de guerra.
"Esse é um drama humanitário, que continua seivando vidas e todos sabemos que não haverá vencedores. A diplomacia é a única solução."
Ao tratar da América Latina e do Caribe e da proximidade da região com os Estados Unidos, Lula afirmou que o Brasil precisa de parceiros que contribuam para o desenvolvimento.
“O Brasil não cabe no quintal de ninguém”, declarou, sendo aplaudido.
O presidente afirmou ainda que a democracia está novamente em xeque e criticou a divisão do mundo a partir da disputa por recursos estratégicos.
Lula também mencionou a situação de países como Venezuela, Nicarágua, Haiti e Cuba. Sobre Cuba, criticou o embargo econômico e afirmou que o mundo assiste à punição da população por meio de medidas econômicas em um contexto de disputa energética.
O combate ao crime organizado também ocupou parte do discurso. Lula afirmou que o Brasil está preparado para enfrentar as organizações criminosas e que o país não pretende terceirizar sua responsabilidade no combate ao problema.
O presidente mencionou uma proposta apresentada ao governo dos Estados Unidos para ampliar a cooperação contra o crime organizado e falou sobre a necessidade de enfrentar a lavagem de dinheiro realizada fora do país.
Lula também citou a criação, em Manaus, do Centro de Cooperação Policil Internacional da Amazônia, voltada ao combate ao crime organizado e afirmou que o Brasil registrou resultados expressivos nessa área.
Ao abordar o tema, mencionou a Lei Antifacção, aprovada em março de 2026, que representa uma das mais significativas reformas do Direito Penal brasileiro, ampliando os mecanismos de combate às organizações criminosas e endurecendo a política criminal. Ele afirmou que crime organizado e corrupção caminham juntos.
"Crime organizado e corrupção andam juntos. Ninguém está acima da lei"




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