O artigo publicado por Lula na edição domingueira do Washington Post teve dupla serventia. O objetivo secundário foi acomodar num jornal que chega à Casa Branca e aos lares de consumidores americanos uma reação ao novo tarifaço dos Estados Unidos contr

Ouvir na voz do colunista1×0.5×0.75×1×1.25×1.5×1.75×2×O artigo publicado por Lula na edição domingueira do Washington Post teve dupla serventia. O objetivo secundário foi acomodar num jornal que chega à Casa Branca e aos lares de consumidores americanos uma reação ao novo tarifaço dos Estados Unidos contra exportações do Brasil. O principal propósito foi a difusão de um texto para ser lido pelo eleitor brasileiro independente, que tende a definir a apertada sucessão presidencial doméstica.

Enrolando-se novamente na bandeira da soberania, anotou que "tentativas de impor restrições ideológicas à parceria bilateral, ou de instrumentalizá-la para fins eleitorais, não prosperarão". Enumerou os argumentos técnicos que tornam as novas tarifas injustificáveis. E repetiu que "o destino do Brasil cabe exclusivamente aos brasileiros determinar — sem interferência estrangeira ou subserviência".

Em resposta à pecha de radical que o bolsonarismo tenta grudar no seu governo, Lula pediu a Trump "um diálogo aberto e construtivo". Foi menos delicado com Marco Rubio. Chamou de mentiroso o principal interlocutor do bolsonarismo na gestão Trump. Escreveu que "nunca antes um secretário de Estado americano declarou que o Brasil não é amigo dos Estados Unidos". Soou categórico: "Ninguém nos derrotará com mentiras".

Além de converter em dividendo político os espantalhos que marcam a parceria da família Bolsonaro com a Casa Branca — da confusão entre liberdade de expressão e o crime nas plataformas digitais às ameaças ao Pix -, Lula cutucou empresários e consumidores americanos para ver se eles mordem Trump. Fundindo cálculo eleitoral e estratégia diplomática, disse que as tarifas não são injustas apenas com o Brasil, pois prejudicam "a economia dos Estados Unidos".

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

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