Desde a redemocratização, quem lidera a 1ª etapa vence a eleição; para virar o jogo, PT vai ampliar alianças e disputar “biografia”

Desde a redemocratização, quem lidera a 1ª etapa vence a eleição; para virar o jogo, PT vai ampliar alianças e disputar “biografia”

Ricardo Stucker/PT - 5.out.2026

de Brasília 5.out.2026 (segunda-feira) - 1h32 Priorize o Poder no Google

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o vice, Geraldo Alckmin (PSB), anunciaram neste domingo (4.out.2026) que a campanha entra em nova fase após o 1º turno. O petista terminou em 2º lugar, atrás de Flávio Bolsonaro (PL), e tenta agora um feito que nenhum candidato alcançou desde que o Brasil adotou o 2º turno presidencial, em 1989: vencer depois de largar atrás do adversário.

Lula precisa quebrar essa sequência para conquistar seu 4º mandato presidencial, feito inédito na história do país.

No Brasil, desde a redemocratização, nunca houve uma virada presidencial no 2º turno nesse sentido. Nas 7 eleições com 2º turno desde então, quem venceu no 1º turno também venceu no 2º: Collor (1989), Lula (2002 e 2006), Dilma (2010 e 2014), Bolsonaro (2018) e Lula (2022).

Lula já venceu 3 eleições decididas no 2º turno, mas nunca reverteu uma desvantagem da etapa inicial. Em 1989, por exemplo, ele terminou atrás de Collor no 1º turno e perdeu também no 2º.

A estratégia petista já traça 3 eixos: 

O petista já esteve na 2ª etapa em 4 ocasiões: em 1989, quando perdeu para Fernando Collor (PRN na época; hoje sem partido); em 2002, quando venceu José Serra (PSDB); em 2006, quando derrotou o hoje vice, Geraldo Alckmin (PSDB na época; hoje PSB); e em 2022, quando bateu Jair Bolsonaro (PL).

Lula prometeu ampliar o Pé-de-Meia, universalizar a escola em tempo integral e fortalecer o SUS e o Farmácia Popular. Anunciou ainda que canetas de emagrecimento serão distribuídas pelo SUS, com critérios.

O PT comemora a vitória na Bahia, onde o grupo do governador Jerônimo Rodrigues derrotou ACM Neto (União Brasil). Também levou no Piauí e no Ceará. Em São Paulo, onde 4 ex-ministros de Lula disputavam, o cenário foi o oposto.

A autocrítica pública para por aí. Nos bastidores, a leitura é mais dura: a campanha está desorganizada. Há também entre integrantes da esquerda uma discussão sobre a ausência de um sucessor claro para Lula e os rumos do campo político depois do atual presidente.

Flávio Bolsonaro teve 47,03% dos votos (56,1 milhões) e Lula, 45,16% (53,9 milhões). A diferença foi de cerca de 2,2 milhões de votos.

Os 4 candidatos da 3ª via somaram cerca de 9 milhões de votos (7,6%):

Os votos dos 4 candidatos somam cerca de 9 milhões, mas a transferência para Lula ou Flávio não é automática. Caiado, Zema e Renan Santos disputaram em campo de oposição ao governo, e Flávio também vai atrás desses eleitores. As abstenções representam um contingente cerca de 3 vezes maior que a soma dos votos dos 4 candidatos da 3ª via.

O desafio é reverter a desvantagem de cerca de 2,2 milhões de votos. Em 7 disputas de 2º turno presidencial desde 1989, o líder do 1º turno sempre venceu. Lula aposta em ser o primeiro a quebrar essa regra.