Após ser reeleito, presidente voltará a cumprir agendas no exterior em novembro; ida aos Estados Unidos está prevista para dezembro
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) confirmou a participação em uma série de eventos internacionais programados para acontecer nos próximos dois meses. Entre eles está a cúpula do G20, que será realizada na Flórida, Estados Unidos, entre os dias 15 e 16 de dezembro, evento que será presidido por Donald Trump.
A presença de Lula nos eventos estava pendente de confirmação, em aguardo do resultado do segundo turno das eleições. Na última semana, o ministro de Relações Exteriores, Mauro Vieira, despachou com o presidente no Palácio da Alvorada, para receber o aval nos compromissos e acertar detalhes da agenda no exterior.
Com isso, a programação internacional de Lula até o fim do ano inclui:
Nas Filipinas, Lula incluiu na agenda uma visita de Estado, para o dia 13, quando devem ser assinados acordos bilaterais entre os dois países.
O compromisso, que representa o mais alto nível na diplomacia, envolve agendas bilaterais não só entre os chefes de Estado, mas também ministerial e encontros entre representantes do Legislativo, além de eventos com honrarias.
A visita às Filipinas e à Asean ocorre após um esforço do governo brasileiro de ampliar negócios com os países que fazem parte do sudeste asiático.
A Asean reúne 11 países: Indonésia, Malásia, Filipinas, Singapura, Tailândia, Vietnã, Mianmar, Brunei, Camboja, Laos e Timor-Leste, que juntos reúnem um PIB (Produto Interno Bruto) estimado em US$ 4 trilhões. O valor faz do bloco a quinta maior economia do mundo.
No mês passado, Mauro Vieira visitou Singapura e Tailândia. Em agosto, Lula e o chanceler receberam em Brasília a secretária de Negócios Estrangeiros das Filipinas, Maria Tereza Lázaro.
Já na COP31, o Brasil irá transferir para a Turquia a presidência da Conferência do Clima da ONU, função exercida pelo governo brasileiro na COP30 que ocorreu em novembro do ano passado, em Belém, no Pará.
A equipe internacional no Palácio do Planalto ainda trabalha no discurso que Lula deve fazer durante o evento, mas, em linhas gerais, o presidente brasileiro deve abordar a urgência em fortalecer o regime multilateral de combate à mudança do clima.
No Mercosul, no Uruguai, Lula terá a oportunidade de um encontro com Javier Milei, se presidente o argentino comparecer ao evento. Milei, que é crítico do bloco, cancelou a presença na última cúpula, em Assunção, no Paraguai, realizada em junho deste ano.
Milei defende flexibilidade nas regras dos acordos comerciais dentro do bloco e alega que o atual formato prejudica os negócios argentinos.
Além disso, a relação diplomática com o Brasil se agravou com frequentes críticas de Milei ao governo petista, o que levou Lula a chamar de volta ao Brasil o embaixador brasileiro em Buenos Aires, e orientou o embaixador argentino a retornar para o seu país, rebaixando o nível na relação diplomática.
A equipe internacional que assessora Lula não vê no momento condições políticas para autorizar o retorno do embaixador da Argentina, especialmente no atual contexto em que se discute a participação do governo de Milei na fuga de Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
O governo argentino decidiu não emitir um comunicado reconhecendo a vitória de Lula nas eleições presidenciais no domingo (25).
Na cúpula do Mercosul em dezembro, se encerra a presidência temporária do Uruguai à frente do Mercosul. O chanceler do Uruguai, Mario Lubetkin, já descartou que seu país atue como mediador da crise entre a Argentina e o Brasil, e pediu a diminuição da tensão entre os presidentes.
Atualmente, o Mercosul tenta chegar a um acordo sobre a divisão das cotas de exportação isentas de tarifas para a União Europeia. Na cúpula em Assunção, anunciaram oficialmente o início das negociações com o Japão para um acordo de associação econômica e cooperação.
No G20, embora o evento seja sediado nos Estados Unidos, com a presença de Donald Trump, não há até o momento encontro bilateral pré-agendado entre Lula e o presidente norte-americano. Esta será a primeira vez que os dois mandatários estarão em um mesmo ambiente após a fuga de Flávio Bolsonaro para os EUA.
Segundo o jornal The New York Times, há suspeita de que a Casa Branca tenha auxiliado na saída de Flávio do Brasil.
Além disso, até o momento, Donald Trump não parabenizou Lula pela vitória nas eleições. Nos últimos dias, o americano tem sugerido, sem apresentar provas, que a votação para a Presidência do Brasil teria sido fraudada, mas destacou que gosta de Lula e que se dá bem com o petista.



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