Há quase duas semanas do primeiro turno da eleição presidencial, as pesquisas de intenção de voto ainda não apontam um favorito claro. A reportagem ouviu cientistas políticos e mergulhou nos detalhes de quatro pesquisas divulgadas nos últimos dias para mapear…
Role, Da BBC News Brasil em São PauloPublished 17 setembro 2026Tempo de leitura: 11 minA quase duas semanas do primeiro turno da eleição presidencial e em meio à maior crise que já se instaurou sobre o Supremo Tribunal Federal (STF), as pesquisas de intenção de voto ainda não apontam um favorito claro para vencer a disputa.
Nos cenários de primeiro turno, tanto Luiz Inácio Lula da Silva (PT) quanto Flávio Bolsonaro (PL) chegaram a cair depois do primeiro debate, do qual não participaram, mas voltaram a ganhar fôlego nas últimas semanas e agora somam 39% e 35%, respectivamente, conforme o agregador da BBC News Brasil, que compila os resultados de várias pesquisas.
O confronto entre Augusto Cury (Avante), Renan Santos (Missão) e Ronaldo Caiado (PSD), realizado em 23 de agosto pela TV Bandeirantes, beneficiou principalmente Cury, que chegou a bater 10% das intenções de voto.
Nas últimas duas semanas, contudo, ele vem desidratando, marcando agora 6% nas intenções de voto, seguido por Renan Santos, com 4%, e por Caiado, com 4%.
Nos cenários de segundo turno, Lula e Flávio Bolsonaro estão há semanas tecnicamente empatados ou com uma distância mínima um do outro. Nos dados coletados pelo agregador da BBC até esta terça-feira (15/9), ambos aparecem com 44% da preferência dos eleitores.
Nessa mesma época em 2022, Lula e Jair Bolsonaro estavam separados por 9 pontos percentuais, de acordo com os dados da Polling Data, parceira da BBC. O petista tinha 49% das intenções de voto e o então presidente, 40%.
Também era bem diferente o cenário em que se dava a corrida eleitoral.
Nas últimas duas semanas, o foco dos eleitores acabou desviado para a crise que se instalou no Supremo diante dos desdobramentos do caso Master e culminou na sessão plenária de terça-feira (15/9), em que o país assistiu a trocas de acusações e bate-bocas entre os ministros.
O eventual impacto nas urnas dessas cenas e, de forma mais ampla, do escândalo em torno do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, com suspeitas que recaem sobre o alto escalão da cúpula dos três poderes em Brasília, só deve ficar claro mais pra frente.
Entre os especialistas, há avaliações de que pode haver impacto negativo tanto para a campanha de Flávio Bolsonaro, por conta do caso Dark Horse, quanto para a de Lula, que pode ser prejudicada em um ambiente de maior pessimismo entre os eleitores.
Em uma disputa acirrada como a que tem se desenhado, a chave para definir quem vai ser o novo presidente da República pode estar em alguns grupos de eleitores.
A BBC News Brasil ouviu cientistas políticos e mergulhou em quatro pesquisas divulgadas nos últimos dias — Atlas/Bloomberg, Nexus/BTG, Quaest e Datafolha — para mapear 5 deles.
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Fim da Promoção da eleição 2026
O perfil mais mencionado pelos especialistas ouvidos pela BBC News Brasil é o dos brasileiros que não se identificam plenamente nem com a direita nem com a esquerda e que, por isso, poderiam votar em um ou outro polo em um eventual segundo turno.
"Acho que essa eleição vai ser decidida por uma parcela muito pequena do eleitorado, cerca de 10%, no máximo 15% do eleitorado, que não tem um vínculo partidário, uma preferência ideológica necessariamente, e fica mais aberta a apoiar o que os candidatos apresentam para eles", analisa Yuri Sanches, chefe de risco político e análise política do instituto AtlasIntel.
O tamanho desse contingente — e o nome dele — varia a depender da pesquisa. Para a Quaest, por exemplo, são os eleitores "independentes" (não se consideram nem de direita nem de esquerda e não são nem lulistas nem bolsonaristas), e compreendem cerca de 32% do eleitorado.
A Nexus os identifica como "não polarizados", que não se engajam nem com o antilulismo nem com o antibolsonarismo, e são 18% na pesquisa divulgada em 14 de setembro.
Dentro desse universo de eleitores que não necessariamente têm aderência a um dos polos, a empresa de pesquisa também localiza outros 4% que veem Lula como possível alternativa (que se identificam com o antibolsonarismo e são indiferentes ao antilulismo) e 7% que veem Bolsonaro como alternativa (se identificam com o antilulismo e são indiferentes ao antibolsonarismo).
O crescimento de Augusto Cury após o primeiro debate chamou atenção para os esses eleitores "nem-nem".




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