Lideranças das duas maiores convenções assembleianas se alinham a presidenciável do PL

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19.out.2026 às 23h00

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Anna Virginia Balloussier

Nos últimos dias, a turma do pastor José Wellington Bezerra da Costa, um dos mais longevos e influentes líderes do pentecostalismo brasileiro, tem explicitado mais a predileção por Flávio Bolsonaro (PL).

O filho Paulo Freire Costa, reeleito deputado pelo PL em São Paulo, compartilhou no sábado (17) um vídeo para "tornar público o nosso posicionamento". Falando em nome da Convenção Fraternal das Assembleias de Deus de São Paulo, disse que apoiaria o presidenciável porque "ele defende os nossos princípios".

No domingo (18), outra filha de José Wellington, a vereadora Rute Costa (PL-SP), divulgou uma foto no ato bolsonarista da avenida Paulista. O primogênito do clã, José Wellington Júnior, convocou "todos os irmãos que estarão na direção de cultos nesta noite" a reservar um momento "para orarmos pelo Brasil".

Que a família endosse um nome contra Lula (PT) não é espanto algum. Já em 1997, em coro pela reeleição de Fernando Henrique Cardoso (PSDB), pastores gritaram "presidente, Jesus te ama" num congresso liderado por José Wellington, que presidiu por três décadas a CGADB (Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil), o maior dos grupos assembleianos do país.

Em 2010, José Wellington gravou depoimento para a propaganda eleitoral de José Serra (PSDB), que rivalizava com Dilma Rousseff (PT). Oito anos depois, o pastor reconheceu no púlpito que "já estamos conscientizados que estamos polarizados", e então expressou a orientação de que "é não votar na esquerda".

Em 2022, José Wellington Júnior, filho mais velho do pastor, disse lamentar ainda ver pastores tentando fazer com que o pai recebesse algum candidato do PT. "Na nossa igreja não cabe, irmão. O inferno não tem como entrar no lugar santo", afirmou. Em 2017, Júnior substituiu o patriarca da família na presidência da CGADB.

Em abril, José Wellington pai recebeu Flávio na igreja e orou para que "o Senhor o leve para ser presidente da nossa nação".

Ele até adotou um tom conciliador em vídeo gravado às vésperas do primeiro turno. Sem sinalizar um candidato de preferência, na contramão de tantos pares que exaltaram o voto anti-Lula, disse ser preciso "reaprender a respeitar as lideranças, as instituições e uns aos outros", mensagem embalada pela passagem bíblica "bem-aventurados os pacificadores".

O segundo turno entre Flávio e Lula reforçou a demarcação de território em prol de Flávio, uma tendência amplamente majoritária entre a liderança evangélica de envergadura nacional. Até o bispo Samuel Ferreira, presidente da outra grande convenção assembleiana, a Conamad (Convenção Nacional das Assembleias de Deus Ministério Madureira), escorou-se no bolsonarismo após se reaproximar de Lula.

Passados seis dias do primeiro turno, ele recepcionou o filho de Jair Bolsonaro (PL) na festa de cem anos do ministério assembleiano que representa, Madureira. Samuel pregou diante do evangélico Flávio que "irmão vota em irmão", bordão que ganhou tração nos anos 1980, após evangélicos passarem décadas distanciados da política, tida como celeiro de ímpios.

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Um ano antes, o bispo posou e orou com Lula no Palácio do Planalto, enquanto o congressista que carregava no Legislativo o nome da igreja, Cezinha de Madureira (PL-SP), fazia gestos ao governo —isso depois de se alinhar a Bolsonaro quando era ele o presidente, inclusive andando na garupa dele durante uma motociata.

Corta para 2026, e Samuel contornou a lei eleitoral que veta pedido de voto dentro de igrejas. Disse que não o faria, mas que, caso pudesse, defenderia Flávio, adjetivando-o como honesto, sério e crente, e também "porque foi ele o indicado pelo presidente", em referência ao pai dele.