Acusações envolvendo Alexandre de Moraes, associado a Lula, afetam o voto de 4% dos ouvidos

Acusações envolvendo Alexandre de Moraes, associado a Lula, afetam o voto de 4% dos ouvidos

Sérgio Lima/Poder360 - 3.set.2026

13.set.2026 (domingo) - 12h56 Priorize o Poder no Google

A crise no Supremo Tribunal Federal não causou grandes mudanças no voto para presidente, de acordo com pesquisa doDatafolha. As acusações contra o ministro Alexandre de Moraes não mudaram a preferência de 85% dos eleitores, enquanto aquelas contra André Mendonça não afetaram 86%.

O instituto ouviu 2.002 eleitores em 125 cidades de 3ª feira (8.set.2026) a 5ª feira (10.set.2026). A margem de erro é de 2 p.p. (pontos percentuais), para mais ou para menos.

As notícias envolvendo ministros da Corte e o ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, começaram no início do mês, na 3ª feira (1º.set.2026). Na data, Mendonça revelou o relatório sigiloso a que Moraes teve acesso, com detalhes da relação do magistrado com o ex-banqueiro.

Já era de conhecimento público o contrato de mais de R$ 130 milhões de Vorcaro com o escritório da mulher de Moraes. As novas informações mostraram que o ministro recebeu mensagens do ex-dono do Master em que ele questionava a conveniência de fugir do país para não ser preso. Não se sabe se houve resposta.

O senador Flávio Bolsonaro (PL) passou a associar, em sua campanha, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a Moraes.

Em relação à intenção de voto, 7% dizem ter ficado em dúvida sobre em quem votar, sendo 8% entre os lulistas e 5% entre os apoiadores de Flávio. Outros 4% dizem ter mudado de ideia.

Mendonça é associado ao bolsonarismo por ter sido ministro da Justiça durante o governo de Jair Bolsonaro, que o indicou para o STF.

Alexandre de Moraes acusou Mendonça de ter levantado o sigilo só de parte dos documentos do caso Master. Ele chamou a atuação de Mendonça de “seletiva”. 

Também houve questionamentos sobre o fato de Mendonça ter avançado na investigação contra Moraes, enquanto outros ministros citados em documentos relacionados a Vorcaro não foram alvo de investigação formal. 

Em relação às suspeitas sobre Mendonça:

Entre os que declaram voto em Flávio, 5% disseram ter ficado em dúvida devido ao caso, ante 7% dos apoiadores de Lula.

Mendonça ordenou o afastamento do diretor-geral e do chefe de inteligência da PF. O presidente do STF, Edson Fachin, suspendeu as medidas e marcou para 3ª feira (15.set.2026) uma sessão para discutir a conduta de Moraes.

A decisão de Mendonça ocorreu depois de Moraes apresentar um relatório da PF para pedir que Mendonça fosse investigado no STF.

O ministro Flávio Dino citou um encontro de Mendonça e Vorcaro na decisão em que determinou a volta de Andrei Rodrigues à direção-geral da Polícia Federal

Flávio Dino autorizou, na 5ª feira (10.set.2026), uma operação para investigar se emendas do deputado Mario Frias (PL-RJ) foram usadas no financiamento do filme “Dark Horse”, sobre Jair Bolsonaro.

O caso também envolve o banqueiro Daniel Vorcaro, que teria enviado quase R$ 70 milhões para a produção. Flávio Bolsonaro foi gravado pedindo recursos a Vorcaro, mas o senador negou irregularidades.

Por ordem de Fachin, o ministro André Mendonça retirou o sigilo de parte do caso Banco Master. Na 6ª feira (11.set.2026), Fachin determinou, a pedido de Moraes e outros ministros, a liberação de todos os dados do processo.

A medida tornou públicos novos detalhes das investigações e trouxe novas informações sobre Flávio Bolsonaro no caso “Dark Horse”, além de dados envolvendo outras autoridades.