A escalada retórica do presidente americano, Donald Trump, voltou a impulsionar os preços do petróleo, pressionando as ações de tecnologia em Wall Street e na Ásia. Na Coreia do Sul, o índice Kospi recuou mais de 5% e, em Tóquio, o Nikkei 225 caiu 3,2%. Com i…
A escalada retórica do presidente americano, Donald Trump, voltou a impulsionar os preços do petróleo, pressionando as ações de tecnologia em Wall Street e na Ásia. Na Coreia do Sul, o índice Kospi recuou mais de 5% e, em Tóquio, o Nikkei 225 caiu 3,2%. Com isso, intensificam-se as preocupações com os riscos inflacionários, e a divulgação da ata do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) ganha ainda mais destaque nesta quarta-feira. O mercado busca entender as divisões internas no banco central americano, depois que três dos 12 dirigentes votaram por uma alta de juros em julho.
O petróleo Brent, por sua vez, se mantém acima de US$ 90 por barril nesta manhã, depois de Trump dar sinais contraditórios. O republicano afirmou que não há negociações em andamento com o Irã e que nenhum encontro está agendado, mas disse que o Estreito de Ormuz está aberto. Autoridades iranianas, por outro lado, afirmaram que a rota marítima segue fechada até que os EUA cumpram as condições do acordo provisório firmado em junho.
Por volta das 8h, os futuros dos índices de Nova York rondavam a estabilidade, com exceção do Nasdaq, que recuava 0,23%. O DXY, que mede a força do dólar contra uma cesta de seis moedas de países desenvolvidos, caía 0,27%, aos 99,39 pontos, em meio ao recuo dos rendimentos dos Treasuries, depois de atingirem máximas recentes. A T-note de 10 anos cedia de 4,710% para 4,698%.
No Brasil, as atenções se concentram no cenário eleitoral e na política fiscal, especialmente com o avanço da PEC que altera a escala de trabalho 6x1 no Senado Federal. Os ativos locais reagiram negativamente ontem à decisão do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), de dar andamento à proposta, que estava na gaveta. Ao mesmo tempo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) divulgou nas redes sociais um vídeo cobrando do Congresso a aprovação da medida provisória (MP) que extingue a “taxa das blusinhas”, imposto cobrado sobre compras internacionais de até US$ 50.
Vale notar, ainda, que a cautela com as eleições e a maior concorrência por capital estão entre os fatores que ajudam a explicar a debandada de investidores estrangeiros da bolsa local, como mostra reportagem publicada hoje pelo Valor. Entre 10 e 14 de agosto, os não residentes retiraram R$ 12,6 bilhões de ações já listadas na B3, segundo levantamento com dados da Bloomberg. Foi a maior saída em uma única semana desde 2008, quando teve início a série histórica.
A proximidade das eleições tem elevado a percepção de risco entre os investidores, segundo a gestora de mercados emergentes da holandesa Robeco, Daniela da Costa-Bulthuis. “Internamente, os investidores estão exigindo um prêmio de risco mais elevado à medida que as eleições se aproximam e a visibilidade sobre as políticas para o período pós-2026 permanece limitada”, diz.




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