Em 1926, a vencedora do Prêmio Nobel veio ao País para falar sobre suas pesquisas envolvendo radioatividade - e ficou mais de 40 dias por aqui
Priorizar nos meus resultados Google
Introdução Em 1926, Marie Curie visitou o Brasil para uma série de conferências sobre radioatividade. Já agraciada com dois Prêmios Nobel, sua chegada foi um marco, com intensa cobertura da imprensa. Por mais de 40 dias, cumpriu uma agenda científica e cultural que impulsionou a ciência brasileira e a visibilidade das mulheres na área, deixando um legado duradouro.
Principais Tópicos
Marie Curie visitou o Brasil em 1926 para uma série de conferências sobre radioatividade. A cientista, já com dois Prêmios Nobel, permaneceu mais de 40 dias no país com a filha Irène. Cumpriu uma intensa agenda científica e social, ministrando aulas e visitando instituições. Sua passagem impulsionou a ciência brasileira e a presença feminina no campo da pesquisa. A visita é tema de projetos atuais que recuperam sua memória e legado para a ciência.
Este resumo foi útil?
Resumo gerado por ferramenta de IA treinada pela redação da Editora Abril.
Camila Silveira da Silva é Professora Associada do Departamento de Química; professora do Programa de Pós-Graduação em Educação em Ciências e em Matemática e do Mestrado Profissional em Química em Rede Nacional, Universidade Federal do Paraná (UFPR). O texto a seguir foi publicado originalmente no site The Conversation.
A célebre cientista franco-polonesa Marie Curie (1867-1934) esteve no Brasil em 1926, a convite do Instituto Franco-Brasileiro de Alta Cultura, para realizar uma série de conferências sobre suas pesquisas com radioatividade.
Já consagrada internacionalmente e vencedora de dois Prêmios Nobel, ela permaneceu no país por mais de 40 dias. Foi acompanhada pela filha Irène Curie, também pesquisadora.
Marie Curie desembarcou no porto do Rio de Janeiro em 15 de julho de 1926. Sua chegada foi cercada de grande expectativa e recebeu ampla cobertura da imprensa.
Personalidades da ciência e da sociedade brasileira participaram da recepção, entre elas, representantes da Academia Brasileira de Ciências e da Federação Brasileira pelo Progresso Feminino, organização presidida pela bióloga e feminista Bertha Lutz.
A presença de Marie Curie mobilizou não apenas a comunidade científica. Durante sua permanência no Brasil, ela cumpriu uma intensa agenda científica, cultural e social. Foi recebida por autoridades e visitou instituições de pesquisa, ensino e cultura.
No Rio de Janeiro, esteve no Museu Nacional, no Jardim Botânico e outras instituições científicas. No Museu Nacional, foi acompanhada por cientistas brasileiras como Bertha Lutz e Heloísa Alberto Torres. O encontro simbolizava também a crescente presença das mulheres na ciência brasileira.
A agenda científica concentrou-se principalmente na Escola Politécnica do Rio de Janeiro, onde Marie Curie ministrou 11 aulas sobre radioatividade. Sua filha, Irène, participava das atividades experimentais.
As aulas também foram transmitidas pela Rádio Sociedade Brasileira, ampliando o alcance da visita para além do público que conseguia acompanhar presencialmente as conferências.
Além do curso no Rio, Marie Curie realizou conferências na Academia Nacional de Medicina e na Academia Brasileira de Ciências, no Rio de Janeiro, e nas faculdades de Medicina de São Paulo e Belo Horizonte. A cientista também visitou instituições de pesquisa, como o Instituto Butantan, em São Paulo, e o Instituto do Rádio, em Belo Horizonte.
A imprensa acompanhou de perto praticamente todos os momentos da viagem. Jornais de diferentes regiões do país publicaram notícias, entrevistas e relatos sobre suas atividades. A cobertura não se limitava à presença da celebridade científica: os periódicos também divulgavam aspectos do conteúdo das conferências, contribuindo para aproximar o público brasileiro dos novos conhecimentos sobre a radioatividade.
A viagem incluiu ainda momentos de lazer e visitas a diferentes localidades. Marie Curie esteve em pontos turísticos do Rio de Janeiro como o Pão de Açúcar. Também passou por São Paulo e Minas Gerais, onde foi recebida por autoridades e pesquisadores. Em Águas de Lindóia, visitou as fontes termais, interessando-se pela radioatividade natural das águas.
Marie Curie deixou o Brasil em 28 de agosto de 1926. Ao partir, manifestou publicamente sua gratidão pela recepção que havia recebido das autoridades, cientistas, jornalistas e do público. Destacou também a atenção da Federação Brasileira pelo Progresso Feminino, que acompanhou sua permanência no país e contribuiu para tornar a viagem mais confortável.
O Brasil foi uma das poucas experiências de Marie Curie fora da Europa e representou uma oportunidade de aproximação com a comunidade científica brasileira. Sua visita contribuiu para fortalecer intercâmbios científicos, divulgar conhecimentos sobre a radioatividade e estimular o desenvolvimento de pesquisas e de suas aplicações médicas no país.
Um dos legados concretos da passagem da cientista foi a doação de fontes de rádio ao Instituto do Rádio, em Belo Horizonte, que seriam utilizadas na então emergente área da radioterapia.
Cem anos depois, a viagem continua despertando o interesse de pesquisadores. Um grupo de pesquisa liderado pelo Meninas e Mulheres nas Ciências da Universidade Federal do Paraná (UFPR) vem estudando a passagem de Marie Curie pelo Brasil sob diferentes perspectivas, produzido dados em história da Ciência, educação científica, ensino de química e de física e divulgação científica.
O trabalho também envolve ações nas cidades visitadas pela cientista, em parceria com instituições de ensino, pesquisa, museus e centros de ciência. A proposta é recuperar a memória dessa viagem e mostrar como ela se relaciona com a história da ciência brasileira e com a participação das mulheres na produção científica.
Entre as iniciativas está o projeto Marie Curie Esteve Aqui. Em maio de 2024, uma estátua da cientista foi inaugurada no Balneário Municipal de Águas de Lindóia, junto com uma exposição sobre sua passagem pela cidade.


0 Comentário(s)
Deixe seu comentário