Coautora da proposta que altera a jornada de trabalho, a postulante rebateu as críticas de que a medida poderia prejudicar o setor produtivo nacional, comparando as resistências atuais a momentos históricos de conquista de direitos - David de Queiroz | Folha de Pernambuco Após participar de sabatina na Federação das Indústrias do Estado de Pernambuco (Fiepe), nesta terça-feira (8), a candidata ao Senado Marília Arraes (PDT) afirmou, em entrevista coletiva, que a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) pelo fim da escala de trabalho 6x1 enfrenta entraves no Congresso Nacional devido a negociações por cargos e emendas parlamentares.

“Com esse Congresso e o Senado especificamente inimigo do povo a gente não tem como prever. É um Congresso que vive de barganha, de tentar achacar o Poder Executivo em troca de emendas ou de cargos, e isso tem que acabar. Por isso que me coloco como candidata a senadora, para que a gente possa ter um Congresso que de fato represente o povo brasileiro”, declarou Marília.

Coautora da proposta que altera a jornada de trabalho, a postulante rebateu as críticas de que a medida poderia prejudicar o setor produtivo nacional, comparando as resistências atuais a momentos históricos de conquista de direitos.

“A escala 6 por 1 tem que acabar. É um modelo ultrapassado no Brasil. Diziam que ia quebrar o Brasil quando (se) aboliu a escravidão, quando se estabeleceram direitos trabalhistas como o 13º (salário) e férias, ou quando Arraes implementou o Acordo do Campo. O que a gente sabe é que o trabalhador vai ter mais direitos, vai ser menos adoecido e terá mais condições de produzir, gerar renda, consumir e sustentar a economia”, argumentou.

Durante o encontro com empresários do setor industrial, Marília também abordou as pautas de desenvolvimento regional, destacando a necessidade de revisão do pacto federativo e do acompanhamento da transição da reforma tributária até 2032, período em que o Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviço (ICMS) deixará de existir.

Entre as obras infraestruturais, a candidata apontou a conclusão da Ferrovia Transnordestina como prioridade central de sua atuação na Casa Alta, com foco na viabilização do trecho entre Salgueiro e o Porto de Suape.

“Uma prioridade do meu mandato é a Transnordestina. Essa foi uma luta de Miguel Arraes há mais de 40 anos e hoje vemos que é essencial para o desenvolvimento de Pernambuco e do Nordeste. O impacto será sentido do Sertão ao litoral, transformando Suape em um dos maiores portos do Brasil”, pontuou.

Questionada sobre os debates e tensões institucionais envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF), a postulante defendeu a apuração rigorosa de eventuais denúncias, ressaltando o papel institucional do Senado como instância de equilíbrio político.

“Tudo tem que ser apurado e os responsáveis punidos. O Senado é a casa da maturidade e precisa de uma apuração fática, relevante e sustentável. Não pode ter ‘passação de pano’ para ninguém. O Supremo Tribunal Federal é essencial para a segurança jurídica e para a consolidação da democracia no país”, concluiu.