Se o sábado (27) ficou por conta de lendas do pop-rock, o último dia do Rock in Rio Lisboa coube a nomes do rap mundial e do trap brasileiro. Headliner deste domingo (28), 21 Savage demorou cerca de meia hora para subir ao palco Mundo, o maior do festival, e o público foi recebido por seu DJ residente e diretor musical, Marc B, que costuma abrir seus shows. Leia mais (06/28/2026 - 22h47)
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28.jun.2026 às 22h47
Davi Galantier Krasilchik
Se o sábado (27) ficou por conta de lendas do pop-rock, o último dia do Rock in Rio Lisboa coube a nomes do rap mundial e do trap brasileiro. Headliner deste domingo (28), 21 Savage demorou cerca de meia hora para subir ao palco Mundo, o maior do festival, e o público foi recebido por seu DJ residente e diretor musical, Marc B, que costuma abrir seus shows.
Uma vez no palco, Savage trouxe seus graves, sintetizadores estourados e a voz por vezes sussurrada. Em certos momentos, projetava luzes por toda a multidão que se estendia pelo gramado. Em outros, projeções vermelho-sangue centralizavam a iluminação pelos telões.
Entre a fumaça sobre o palco, as luzes piscantes e os filtros em preto e branco nas telas laterais, Savage lembrava uma espécie de vulto. A impressão dialoga com seu repertório denso, conhecido por abordar a violência, disputas sociais e dilemas da fama, mas também irreverente —sua "10 Freaky Girls", uma das músicas que o público acompanhou com mais empolgação, referencia o desenho Bob Esponja e as correntes que escravos carregavam.
Apesar de vozes entusiasmadas terem seguido hits como "Rockstar" e "Bank Account", em que o rapper compara a riqueza à criação violenta, alguns espectadores deixaram o show pouco menos de 20 minutos após ele subir ao palco.
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As rimas sobre criações conturbadas, mulheres e ostentação pautaram o dia no palco Mundo, onde mais cedo se apresentaram o rapper britânico Central Cee, o nigeriano Rema, expoente do afrobeat, e o cearense Matuê, que se tornou um fenômeno com sua versão acessível do trap.
O último, aliás, mostrou desde cedo que a programação do dia foi pensada para um público mais novo, e os jovens portugueses cantaram com Matuê desde os primeiros segundos de show. O brasileiro subiu ao palco com um tapa-olho de metal e outros adereços metálicos.
A estrutura ao redor reluzia tanto quanto ele —o cantor entoou suas faixas num tipo de fortaleza de cristais, tomada por triângulos prateados, próximos da estética de seu aclamado álbum "333", no qual explora a elevação espiritual.
Atrás dele, o telão projetava uma catedral em chamas, pouco antes de mostrar um deserto tomado por corvos. Mais tarde, foi a vez de chamas com diferentes cores, que representaram fases de sua trajetória. A caracterização parecia adequada, não só pelo calor que fazia na hora, mas também pelas letras do músico, que repensam normas sociais.
Talvez por isso seu show tenha sido um dos primeiros nesse final de semana a desafiar a timidez do público português. Bastaram poucas músicas para a formação de um mosh pit, ou seja, uma roda de bate-cabeças e empurrões, em que o público se agita com mais liberdade.
A voz de Matuê disputava com o público, que vibrou com músicas como "Máquina do Tempo", sobre a solidão de subir ao topo, e "Rei Tuê", tipo de autoanálise sobre o sucesso que ele conquistou.




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