Chanceler brasileiro afirmou que os EUA apresentaram "demandas irrazoáveis" durante negociações com o Brasil
O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, rebateu nesta quinta-feira (16/7) as declarações do secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, sobre o Brasil não ter agido de “boa-fé” nas negociações sobre a tarifa de 25% anunciada pelo governo de Donald Trump. Segundo o chanceler, o que incomoda é o Brasil não se “curvar” às pretensões de Washington.
“Claramente, o que incomoda o governo dos Estados Unidos é o fato de o Brasil não ter se curvado às pretensões desmedidas e às demandas irrazoáveis apresentadas durante o curso das negociações”, destacou o ministro das Relações Exteriores do Brasil.
Ele prosseguiu: “Cito, como exemplo, demandas de abertura total, irrestrita e exclusiva aos Estados Unidos de setores inteiros da economia brasileira, sem qualquer contrapartida para os produtos brasileiros”. Assista ao discurso no Itamaraty:
Logo após o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) anunciar a nova tarifa de 25% sobre algumas exportações brasileiras, Rubio afirmou que a retaliação econômica foi motivada após Lula colocar “seu próprio ego à frente de fazer um acordo”.
Segundo Mauro Vieira, as “declarações de Rubio são inaceitáveis e ofensivas ao povo e ao governo brasileiros”. O ministro disse que “Rubio ataca, de forma grosseira e arrogante, o Chefe de Estado de um país amigo, que se empenhou pessoalmente pela abertura de canais de negociação em várias ocasiões”.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles 5 imagensFechar modal.1 de 5O chanceler Mauro Vieira discursou no Itamaraty nesta quinta (16/7)
Chanceler Mauro Vieira discursou nesta quinta (16/7) sobre as tarifas adicionais dos EUA ao Brasil
Ministro defendeu o Pix e disse que acusações dos EUA são descabidas
Mauro Vieira criticou as falas do secretário de Estado dos EUA Marco Rubio
O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira
O USTR acusa o Brasil de adotar “práticas desleais” contra o comércio norte-americano — entre as quais o Pix. Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), contudo, apontam que os EUA registraram superávit de US$ 7,5 bilhões (cerca de R$ 38 bilhões) no último ano.
O novo tarifaço, que entra em vigor no próximo dia 22 de julho, surge mais de 1 ano após a guerra comercial da administração Trump contra o Brasil. Na época, exportações brasileiras chegaram a ser taxadas em 50%.


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