Capitão da Noruega, o meia Martin Odegaard passou a infância e a adolescência treinando em um campo de gramado artificial, capaz de sobreviver ao frio extremo, localizado a cem metros da sua casa e cuja construção foi, em boa parte, financiada pelo seu

Capitão da Noruega, o meia Martin Odegaard passou a infância e a adolescência treinando em um campo de gramado artificial, capaz de sobreviver ao frio extremo, localizado a cem metros da sua casa e cuja construção foi, em boa parte, financiada pelo seu pai.

O caso acima deixa bem explícita uma diferença gritante de formação socioeconômica dos adversários desta tarde (às 17h, de Brasília), por vaga nas quartas de final da Copa do Mundo de 2026.

Enquanto boa parte dos jogadores da seleção canarinho possui origem humilde e passou os primeiros anos da vida tendo de lidar com severas restrições econômicas, o elenco da Noruega é formado majoritariamente por "meninos ricos", muitos deles nascidos em berço de ouro.

Odegaard, por exemplo, é herdeiro de uma rede de lojas de roupas fundada em 1939 e que conta com mais de 20 pontos de vendas espalhados pela Noruega. Seu pai foi jogador profissional de futebol, com atuação apenas em clubes locais, mas também CEO da empresa.

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A história de Erling Haaland é ainda mais conhecida. O artilheiro escandinavo nasceu na Inglaterra porque seu pai jogava na Premier League na época. O ex-lateral direito Alf-Inge Haaland chegou a disputar a Copa do Mundo de 1994. Ou seja, dinheiro nunca foi problema na casa do centroavante.

O mesmo vale para Alexander Sorloth, seu companheiro de ataque na seleção atual. O jogador do Atlético de Madri é mais um "nepobay" da bola, já que Sorloth pai também esteve no primeiro Mundial dos Estados Unidos e atuou em uma das ligas mais ricas do futebol europeu (a Bundesliga alemã, pelo Borussia Mönchengladbach).

Os meias Sander Berge, Patrick Berg e Kristian Thorstvedt são outros integrantes de famílias importantes do futebol norueguês, que ganharam dinheiro e ascenderam socialmente graças ao esporte.

No caso da Noruega, mesmo descendentes de imigrantes, como o atacante Antonio Nusa, cuja família paterna é de origem nigeriana, não atravessaram grandes necessidades financeiras. Ele não era risco, mas tinha uma vida condizente com classe média.

O próximo adversário da seleção na Copa é um dos países de menor desigualdade social do mundo.

Enquanto no Brasil o 1% mais rico da população concentra quase 30% de toda a renda nacional, na Noruega essa parcela não chega nem a 10%. Ou seja, a distribuição de renda é muito mais igualitária.

Além de segurar Haaland e seus produtivos companheiros de ataque, o Brasil terá de superar uma freguesia histórica no confronto de oitavas de final da Copa 2026, neste domingo.

Afinal, a seleção mais vitoriosa da história do futebol, a única que tem cinco títulos mundiais, jamais derrotou os escandinavos. Foram dois empates (amistosos em 1988 e 2006) e duas derrotas (1997 e na fase de grupos do Mundial-1998) em quatro confrontos disputados até hoje.

A Copa que está em andamento e que agora colocará brasileiros e noruegueses frente a frente mais uma vez é a mais grandiosa já realizada.

Pela primeira vez na história, tem jogos espalhados por três países diferentes: Canadá, EUA e México. Também estabelece novos recordes de número de seleções participantes (48, contra 32 das últimas sete edições do torneio), jogadores inscritos (mais de 1.200) e partidas disputadas (104).

A decisão do Mundial está marcada para o dia 19 de julho e terá o MetLife Stadium, em Nova Jersey, nos EUA, como palco.

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