Grupo enfrenta mais dificuldades no mercado, diz IBGE a partir do Censo 2022; instituto cita preconceito

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18.set.2026 às 10h00

Somente 29% das pessoas de 14 anos ou mais com deficiência trabalhavam no Brasil em 2022, afirmou nesta sexta-feira (18) o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) a partir de dados do Censo Demográfico.

O percentual, chamado de nível de ocupação, era pouco mais da metade do registrado pela população sem deficiência da mesma faixa etária (55,8%).

As diferenças também aparecem na renda. Em 2022, o rendimento médio do trabalho foi de R$ 2.053 por mês para as pessoas com deficiência. É um patamar 29% menor do que o recebido pelos demais trabalhadores (R$ 2.890).

Conforme o IBGE, os profissionais com deficiência ganhavam menos nas dez atividades econômicas investigadas pelo estudo.

Além disso, estavam mais concentrados em setores nos quais os rendimentos costumam ser mais baixos na média. São os casos de serviços domésticos, agropecuária e alojamento e alimentação.

O IBGE diz que apenas 2,5% dos 2,3 milhões de cargos gerenciais no país eram ocupados por pessoas com deficiência (59,1 mil) em 2022. A maioria delas (55,7%) era do sexo masculino e estava concentrada em posições com menores remunerações.

"A mensagem é que as pessoas com deficiência têm uma dificuldade de inserção maior no mercado de trabalho brasileiro", afirmou o pesquisador João Hallak Neto, do IBGE.

Os dados divulgados nesta sexta integram um informativo construído pelo instituto a partir de diferentes fontes, com destaque para o Censo Demográfico. O recenseamento é a base dos recortes produzidos sobre o mercado de trabalho.

Em 2022, o Brasil tinha 13,7 milhões de pessoas com deficiência em idade de trabalhar (14 anos ou mais). Dessas, quase 4 milhões tinham alguma atividade profissional, o que corresponde ao nível de ocupação de 29%.

O menor nível de ocupação das pessoas com deficiência foi registrado entre aquelas com dificuldades associadas a funções mentais (12,9%). O maior ocorreu entre o grupo com dificuldade de enxergar (35,9%).

O IBGE afirma que o nível de ocupação das mulheres que viviam em domicílios com crianças com deficiência era de 43,1%, 12,1 pontos percentuais menor do que o das mulheres em lares com crianças sem deficiência (55,2%).

Entre os homens, quase não houve diferença, com proporções de 69,7% e 69,5%, respectivamente. Historicamente, as mulheres enfrentam uma carga maior de tarefas de cuidado de pessoas e do lar.

Os contribuintes para a Previdência representavam 57,9% dos ocupados com deficiência em 2022. A proporção ficou cerca de dez pontos percentuais abaixo da verificada na população com trabalho sem deficiência (67,7%).

A pesquisadora Luanda Chaves Botelho, do IBGE, associou os resultados ao que classificou como uma sequência de obstáculos para as pessoas com deficiência.